O que é que nos dizem?Um, e não dos menores, pecados da nossa comunicação social é preferir o sensacional, o espectacular, aquilo que, julga, atinge, atrai e fixa o espectador, o ouvinte, o leitor.
Eis o que aconteceu e acontece, agora mesmo, quando das revoltas populares tunisinas e egípcias, que provocaram a queda e fuga de Ben-Ali, na Tunísia, e o afastamento de Mubarak, no Egipto.
Logo surgiram as grandes manchetes: “Tunísia conquista a democracia”, “Egipto Livre”, e por aí adiante.
Sabemos –os que se informam ‘lá fora’ e se preocupam com movimentos que abalam o Médio Oriente e terão reflexos importantíssimos, senão gravíssimos, na Europa e no Ocidente, -, salta aos olhos que nem a Tunísia, nem o Egipto conquistaram, ainda, a democracia e a liberdade e receiam, a cada momento, vê-las esfumarem-se no mundo dos sonhos e dos anseios justos, traídos por uma realidade adversa...
...traídos por manobras internacionais, vindas de países mais interessados em conservar situações que lhes servem e que muito apreciam a célebre frase de Tomaso di Lampedusa, no seu romance Il Gatottopardo:
“mudar tudo para que tudo fique como estava”.
A ganância, a obsessão das “audiências”, a irresponsabilidade profissional -ou o aprofissionalismo imoralista- envenenaram a comunicação social e contribuem, de que maneira!, para a ignorância crescente, que nos isola cada vez mais e nos confirma como país periférico.
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