Louis-Ferdinad Céline (1894-1961)
Henry Miller (1891-1980)Em Julho deste ano, passam 50 anos sobre a morte de Louis-Ferdinand Céline, autor do romance “Voyage au bout de le nuit”, que abalou a Literatura francesa.
Aliás, Céline entusiasmou, chocou, abalou e revoltou tudo e todos.
Considerado um dos maiores escritores franceses do século XX -ou, com Proust, o maior-, foi, durante a segunda grande guerra mundial, um feroz antisemita, um colaboracionista, e foi julgado e condenado a um ano de cadeia, que passou exilado na Dinamarca.
De tal modo o seu nome é mal visto que o governo francês se recusou a celebrar o cinquentenário da sua morte e, nos jornais, se discute, exaltadamente, o assunto.
Há os que defendem a qualidade do escritor genial e os que não absolvem o cidadão-traidor cujos princípios rejeitam.
Há os que defendem a qualidade do escritor genial e os que não absolvem o cidadão-traidor cujos princípios rejeitam.
Em 1963, ‘L’Herne’ publicou um volume, com entrevistas, testemunhos, correspondência, inéditos, ensaios e estudos sobre Céline.
Pareceu-me interessante transcrever parte da carta enviada a L’Herne, por Henry Miller:
“1 de Outubro de 1962
(...) quando viajo não consigo concentrar-me o bastante para escrever qualquer coisa que valha a pena, ora viajei muito nos últimos meses. Tudo quanto posso propor é que utilizem alguma coisa que eu tenha escrito sobre Céline. (...) Adorei as obras de Céline e devo-lhe muito. No entanto, não me sinto demasiado culpado por não oferecer nada para esta “homenagem póstuma”. Fiz, por ele, tudo o que podia, enquanto estava vivo. Agora, que ele morreu, que importam as palavras? O que dizemos é para os vivos. Aqueles que admiraram a sua obra irão procurá-lo, seja ele elogiado ou não seja. (...) faz-me pensar nos enterros, nesse gesto de atirarmos flores para um buraco vazio”.
Arrepiei-me ao ler a carta de Henry Miller. Li-o quando andava na Faculdade.
ResponderEliminarLeu e viu o "Leitor"?, parece-me que o problema é o mesmo. É horrível ligar a pessoa a momentos sem alma, como foi o Holocausto, mas será que a obra de escritor tem a ver com a forma como viveu? Será que ele sabia de toda a verdade? Nunca li Céline, embora conheça alguns títulos.
Deitar flores para um buraco vazio - a frase mais bela que li hoje!
Às vezes dá-se pouco valor às flores!
A flor é a maravilha da natureza, é o seu sucesso, a sua vitória.
Bom dia!
Perturbou-me.
O André Malraux dizia, de Céline: "É um desgraçado. Mas é um grande escritor". E o Proust dizia: "a verdade do artista está na obra e não na biografia". De qualquer modo, leia "Voyage au bout de la nuit", que é um romance excepcional.
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