
A "chapelada" era, nos velhos tempos, chegar-se um cacique, ou seu apaniguado, à urna e despejar lá o quantum satis, o bastante, para palmar as eleições... e, ao que parece, vamos a caminho de reinstalar o sistema..., acompanhando-o do apagamento de nomes inseguros que constem das listas...
Computador de costas largas
por Manuel António Pina
Embora a coisa já vá sendo uma tradição entre nós, não deixa de ser estranho, por isso mesmo, que continue a não dar a letra dos números dos eleitores e dos votos com a careta do apuramento final dos resultados eleitorais, de tal forma que os das recentes "presidenciais" acabaram aprovados na Comissão Nacional de Eleições (CNE) com 2 votos contra, 2 a favor, 2 abstenções e com... o voto de qualidade contrariado do presidente para não "prejudicar a data de tomada de posse" de Cavaco Silva.
Parece que a CNE fez as contas e encontrou "resultados errados grosseiramente" e "irregularidades inaceitáveis". Entre elas o "desaparecimento" misterioso de 113 247 eleitores e de 60 448 votos. Conta José Vítor Cavaco, da CNE, que só em Setúbal, e a título de exemplo, terão "desaparecido" "cerca de 120 mil eleitores e cerca de 60 mil votos"; por sua vez, em Viseu "apareceram", vindos do nada, mais 40 mil eleitores e mais 20 mil votos.
O que valeu desta vez foi que a diferença de votos de Cavaco para o segundo classificado foi tão grande que, mais voto menos voto (no caso, mais uma centena de milhar deles ou menos uma centena de milhar deles) não aquece nem arrefece. E quanto a coisa for mais renhida? Chegará atirar as culpas para cima do computador do MAI? Não será melhor ir, desde já, solicitando observadores internacionais (equipados com computadores minimamente fiáveis) ao Togo ou ao Burkina Faso?
transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de 16/02/11
Acho que a melhor solução é mesmo a requisição de observadores internacionais. Para que deixemos de vês esta democracia fingida e se saiba lá fora que ela é assim.
ResponderEliminarBem... até agora só nos observaram as finanças, a ver se chupam alguma coisa nos juros dos empréstimos...
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