sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

De Afonso Duarte para Aldo Zari

'Veneza ao pôr do sol', 1908, óleo de Claude Monet



Se eu pudesse e se Aldo Zari não andasse já por outros mundos, ainda que ainda neste, e não estivesse em Veneza, algures em Cannaregio, suspenso da vida, a apagar-se em morfina, confiava-lhe, de Afonso Duarte, os versos:

'Não temas: Na paz dos mortos
É a terra de ninguém.
Olha às almas, não aos corpos
E, além de nós, outro além.
(Só na terra da verdade
No tempo da eternidade,
Onde a terra é de ninguém).'

in Canto de Morte e Amor, 1952

5 comentários:

  1. Conheço mal mas a pintura e o poema são lindíssimos.

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  2. Pouco pode conhecer do Aldo Zari. Poucos o conhecem.

    Os versos são de um grande poeta português, também bastante esquecido: Afonso Duarte.

    O quadro acima, de Monet, que todo sabemos quem é.

    Aldo Zari começou há dias uma viagem sem retorno: restam-lhe horas ou dias, cá entre nós.Tem 67 anos. Pintou centenas de quadros. Não subiu a nenhum podium. Ninguém o publicitou. A crítica, com ele, foi morna ou indiferente.

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  3. Lamento a partida que o seu amigo está a iniciar.
    Desejo que seja suave e serena para não o deixar a si num estado de inquietude.

    Não reparei que o quadro era de Monet.

    Manuel Poppe não tenho palavras, o silêncio cortado pelo som do sino, nestas coisas, é o mais acertado.

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  4. Há, mais uma vez, a contradição (ou o absurdo), que marca a nossa vida de condenados à morte: toda a maravilhosa pintura de Aldo Zari é cântico da vida. É uma ode à vida.

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