'Veneza ao pôr do sol', 1908, óleo de Claude MonetSe eu pudesse e se Aldo Zari não andasse já por outros mundos, ainda que ainda neste, e não estivesse em Veneza, algures em Cannaregio, suspenso da vida, a apagar-se em morfina, confiava-lhe, de Afonso Duarte, os versos:
'Não temas: Na paz dos mortos
É a terra de ninguém.
Olha às almas, não aos corpos
E, além de nós, outro além.
(Só na terra da verdade
No tempo da eternidade,
Onde a terra é de ninguém).'
in Canto de Morte e Amor, 1952
'Não temas: Na paz dos mortos
É a terra de ninguém.
Olha às almas, não aos corpos
E, além de nós, outro além.
(Só na terra da verdade
No tempo da eternidade,
Onde a terra é de ninguém).'
in Canto de Morte e Amor, 1952
Conheço mal mas a pintura e o poema são lindíssimos.
ResponderEliminarPouco pode conhecer do Aldo Zari. Poucos o conhecem.
ResponderEliminarOs versos são de um grande poeta português, também bastante esquecido: Afonso Duarte.
O quadro acima, de Monet, que todo sabemos quem é.
Aldo Zari começou há dias uma viagem sem retorno: restam-lhe horas ou dias, cá entre nós.Tem 67 anos. Pintou centenas de quadros. Não subiu a nenhum podium. Ninguém o publicitou. A crítica, com ele, foi morna ou indiferente.
Belíssimo óleo de Monet.
ResponderEliminarLamento a partida que o seu amigo está a iniciar.
ResponderEliminarDesejo que seja suave e serena para não o deixar a si num estado de inquietude.
Não reparei que o quadro era de Monet.
Manuel Poppe não tenho palavras, o silêncio cortado pelo som do sino, nestas coisas, é o mais acertado.
Há, mais uma vez, a contradição (ou o absurdo), que marca a nossa vida de condenados à morte: toda a maravilhosa pintura de Aldo Zari é cântico da vida. É uma ode à vida.
ResponderEliminar