sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

As duas faces



Salta aos olhos a diferença entre a mudança na Tunísia e a mudança no Egipto.

A primeira segue o seu caminho já de diálogo, ultrapassados confrontos bastante restritos.

A segunda continua acompanhada de violência brutal, agora mesmo a acontecer, sem sombra de procura de entendimento ou de saída pacifista.

Leio, em le Nouvel Observateur, Stéphane Hessel, co-redactor da Declaração Universal dos Direitos do Homem, a propósito da contestação que alastra no Médio Oriente e da Tunísia:

“-Mendès France [primeiro ministro francês que concedeu a independência à Tunísia] teve a sorte de deparar com um parceiro extremamente inteligente Bourguiba, [primeiro dirigente da Tunísia independente].”

Na Tunísia, a Cultura, o ensino, a laicização do regime (maneira de parar o fanatismo islamista) abriram o caminho a uma sociedade capaz de pensar e escolher.

No Egipto, o “raísmo” (ou realismo, ou absolutismo), palavra árabe que se usava e usa para qualificar Mubarak, não se preocupou com a Cultura quanto necessário para que os egípcios se não manifestem de modo extremista e inflexível –cego, unilateral.

Com pensamento único.

Dos dois lados.

Hoje, no Egipto, a grande ameaça –ou uma das ameaças mais arrepiantes-, é a implantação de um regime teocrático, fanático, opressivo. Castrador. Analfabetizador.

Não por acaso, o líder religioso iraniano, Jamenei, declara: “A revolta no Egipto é o sinal do despertar islâmico”.

Creio que todos nós sabemos o que é o regime iraniano e como ali se entende o "despertar islâmico".

4 comentários:

  1. É realmente o que eu penso e assusta o fanatismo religioso.
    Boa noite. A imagem que utilizou é muito interessante!
    Boa noite!

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  2. E, se pensar que o imperio árabe, à volta do séc. IX/ X, na Península Ibérica, quando começa a "reconquista" cristã -era incomparavelmente mais culto e civilizado do que os "reconquistadores"...

    se pensar que foram os árabes que salvaram a filosofia, literatura, medicina, ciência gregas...

    fica ainda mais espantada...

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  3. Só fico espantada pela diferença abismal entre o séculos VIII/IX/X e os séculos XX/XXI. Deixo-lhe um provérbio egípcio:

    "THERE IS NO DARKNESS LIKE IGNORANCE"

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  4. Bem verdadeiro! E que justifica tanto do nosso desastre, hoje, em Portugal! E que explicaria o "fenómeno Cavaco", apesar de só 23,3% dos portugueses terem vontado... E explica a pobreza das nossas TVs e de muito da restante comunicação social... E a fuga-emigração de cérebros e de jovens realmente sedentos de Cultura. E os livros que se vendem &% os escritorecos que se elogioam & etc & etc & etc...

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