...obviamente, separam José Sócrates e Manuela Ferreira Leite mil anos luz de Cultura...Assistimos à troca de palavras entre duas pessoas saídas de planetas diferentes. Havia, a separá-los, séculos e, também, o cheiro a enxofre salazarista. Opunham-se a vontade de um Estado Social, da parte de Sócrates, e o desejo de uma liderança de botas de elástico ou de retrosaria, da parte de Ferreira Leite.
Com mais graça, Manuela Ferreira Leite caberia, em cheio, na ‘Canção de Lisboa”, de José Cottinelli Telmo, com dedal e agulha. Mas -infelizmente porque isso aliviava- Manuela Ferreira Leite não tem graça nenhuma.
E tem as ideias curtas de feitora de uma quintinha arranjadinha, cheia de casinhas portuguesas, com pão e vinho sobre a mesa, etc. e tal.
Não acredita na democracia; entende que, muitas vezes, está a mais e lesa o sector privado e, por isso, se deve suspendê-la durante o tempo que for preciso. Salazar suspendeu-a, durante mais de 40 anos. Adiante.
Quer ela dizer, mas não diz e, no entanto, disfarça mal: a democracia pode lesar a plutocracia, os donos (os patrões) da quintinha.
Da quintinha que somos nós, em plena crise social e à rasca, a ver os meses aumentarem e o dinheiro minguar.
Mas, para Manuela Ferreira Leite, a crise resolve-se com contenção, com o seu (dela) peso e medida: os que estão à rasca a apertarem o cinto e os que não estão à rasca a encher a burra.
Para essa economista de despensa, o povo deverá entregar-se ao saber e ao bom senso daqueles que têm as massas –e a esses, privadamente, cabe administrar a quintinha.
O povo deve, pois, aceitar, resignar-se –e remediar a miséria.
Estar quieto –porque não há nada melhor que isso, que esse imobilismo, para que tudo continue como era ontem, como é, ainda hoje: uma roubalheira, em plena tranquila mediocridade secular de um pinhal de Leiria.
Obviamente, uma pessoa assim não pode governar o nosso país.
A direita desconfia disso, receia que a democracia não se possa suspender –e, em pânico, agarra-se à saída de emergência e tenta vender o produto (único, dizem eles...):
o bloco central: PS e PSD abraçadinhos, a governar o país... a quintinha...
Como se não houvesse outra solução!
Esquecendo que a esquerda soma mais, bastante mais do que 50% do eleitorado.
Esquecendo que em muitíssimos países democráticos, a esquerda governou e governa em coligação.
Esquecendo que o eleitorado, maioritariamente, recusa PSD e CDS.
José Sócrates é um homem inteligente, culto, um democrata. Ficaria muito surpreendido se José Sócrates caísse na esparrela que lhe arma a direita cavaquista, mumificada, completamente fora do tempo em que vivemos.
Aliás, porque uma coligação com o PSD seria uma espécie de harakiri socialista.
Com mais graça, Manuela Ferreira Leite caberia, em cheio, na ‘Canção de Lisboa”, de José Cottinelli Telmo, com dedal e agulha. Mas -infelizmente porque isso aliviava- Manuela Ferreira Leite não tem graça nenhuma.
E tem as ideias curtas de feitora de uma quintinha arranjadinha, cheia de casinhas portuguesas, com pão e vinho sobre a mesa, etc. e tal.
Não acredita na democracia; entende que, muitas vezes, está a mais e lesa o sector privado e, por isso, se deve suspendê-la durante o tempo que for preciso. Salazar suspendeu-a, durante mais de 40 anos. Adiante.
Quer ela dizer, mas não diz e, no entanto, disfarça mal: a democracia pode lesar a plutocracia, os donos (os patrões) da quintinha.
Da quintinha que somos nós, em plena crise social e à rasca, a ver os meses aumentarem e o dinheiro minguar.
Mas, para Manuela Ferreira Leite, a crise resolve-se com contenção, com o seu (dela) peso e medida: os que estão à rasca a apertarem o cinto e os que não estão à rasca a encher a burra.
Para essa economista de despensa, o povo deverá entregar-se ao saber e ao bom senso daqueles que têm as massas –e a esses, privadamente, cabe administrar a quintinha.
O povo deve, pois, aceitar, resignar-se –e remediar a miséria.
Estar quieto –porque não há nada melhor que isso, que esse imobilismo, para que tudo continue como era ontem, como é, ainda hoje: uma roubalheira, em plena tranquila mediocridade secular de um pinhal de Leiria.
Obviamente, uma pessoa assim não pode governar o nosso país.
A direita desconfia disso, receia que a democracia não se possa suspender –e, em pânico, agarra-se à saída de emergência e tenta vender o produto (único, dizem eles...):
o bloco central: PS e PSD abraçadinhos, a governar o país... a quintinha...
Como se não houvesse outra solução!
Esquecendo que a esquerda soma mais, bastante mais do que 50% do eleitorado.
Esquecendo que em muitíssimos países democráticos, a esquerda governou e governa em coligação.
Esquecendo que o eleitorado, maioritariamente, recusa PSD e CDS.
José Sócrates é um homem inteligente, culto, um democrata. Ficaria muito surpreendido se José Sócrates caísse na esparrela que lhe arma a direita cavaquista, mumificada, completamente fora do tempo em que vivemos.
Aliás, porque uma coligação com o PSD seria uma espécie de harakiri socialista.
Desejo profundamente que seja possível um entendimento à esquerda. PS e BE, ou PS,BE e PCP? BE e PCP?
ResponderEliminarSó talvez Manuel Alegre para poder haver essa ponte de boas vontades.
Até lá, ninguém vai falar disso abertamente por causa do eleitorado.
Vamos ver. O Bloco de Esquerda está a subir. A direita nunca terá maioria, isso é seguro, ou parece ser.
Se tal for possível, será completamente contra a corrente dominante na Europa!