sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O dia de hoje: ontem foi noite de farsa o espectáculo de dois gatos com o rabo de fora...

...ontem fomos ao circo...



O debate de ontem, entre Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas, não foi um debate, foi uma brincadeira.

Uma conversazinha cheia de salamaleques, entre duas pessoas de acordo em fingirem que não pensavam exactamente o mesmo.

Mas pensavam –e o que pensavam e pensam tem barbas, séculos, muita tradição.

O que eles pensavam e pensam é, juntinhos, retomarem a desmontagem do Estado, apropriarem-se dos bens essenciais, distribuírem rebuçados ou roupa usada ao povo que ouse impacientar-se.

O que eles pensavam e pensam é, juntinhos ou separados (neste caso, Portas fica a ver navios mas dará o seu consentimento à esfolagem do Zé Povinho), retomar, recuperar e continuar o neoliberismo, que é -a prática dele e as consequências dele, que nos doem nas costas, na barriga e nos bolsos, já no-lo ensinaram-, que é a liberalidade, a liberdade de explorar o próximo.

O que eles pensavam e pensam é que não se pode deixar perder os privilégios –os privilégios que tanto jeito têm feito à minoria milionário que os sustenta, aos dois, Manuela e Paulo.

Que é necessário lutar por esses privilégios seja de que maneira for.

E, dado que, infelizmente pensam eles os dois, estamos em democracia, que já não há doutor Salazar, até se deve...

Até se deve o quê?

Até devem fingir que se preocupam com os problemas sociais: desemprego e subsídio de desemprego, assistência social, ensino, e assim mais coisas que caiam bem...

E lá os vimos aos dois, à parelha cómica, os farsantes mal mascarados, os trapezistas do conto do vigário, a fingirem que sim, que se interessavam pelo Estado Social...

Meu Deus! Discursaram quase esquerdísticamente!!!

E com tanta bondade!...

Não creio que o português vá na conversa... Já aqui o escrevi: a fome é uma grande escola.

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