...quem escreve nunca está sozinho...Arundhati Roy, um dos nomes mais conhecidos da literatura indiana contemporânea, explicou a intervenção social: “era óbvio que ficar calada seria o mesmo que falar: uma escolha política”. E veio a público, denunciou e descreveu as injustiças sociais do seu país.
Em meados do século passado, o conflito entre a arte-pela-arte e arte empenhada agitou os intelectuais. Esse conflito foi empolado pelos seguidores do ‘realismo socialista’ –e, talvez também empoladamente, defendido pelos defensores de uma Arte livre. Teve, cá na nossa terra, consequências nefastas e levou a disparates como acusarem Régio de ‘umbiguismo’, Tomaz de Figueiredo de ‘miguelismo’ e Agustina de ser ‘um Poust à moda do Minho’... Qualquer dos três escritores -três exemplos, escolhidos entre muitos outros autores maltratados-, qualquer desses nomes é dos maiores da Literatura Portuguesa. Aliás, não creio que possa existir a ‘arte-pela-arte’, nem creio que Régio, Tomaz de Figueiredo ou Agustina a hajam praticado.
Realmente, como pode o artista ignorar as injustiças sociais? Como pode o artista realizar uma obra totalmente alheia ao mundo e ao momento em que vive? Aqui, por exemplo, e agora: será legítimo, honesto e possível esquecer o drama social que abala o Estado? O Estado somos nós –não é uma empresa como a do Sr. Fulano, que considera e reconsidera abrir ou não abrir falência. Há quem fale dos perigos de um Estado mínimo, despojado, diminuído, incapaz de garantir direitos fundamentais: a saúde, o ensino, a assistência social –em suma: há quem tema o advento de um Estado associal e apenas formalmente democrático, pois, à democracia, se substituirá a plutocracia. E quem fala disso tem muita razão.
Essa é a meta dos novos liberais e dos neoconservadores, aqui representados pelo PSD e os seus cavaquistas e pelo CDS. Vendo bem, não lhes assiste nenhuma ética. O que pretendem: a desmontagem sistemática do Estado; a privatização e domínio de tudo quanto rende; o controlo da economia. Pergunto: essa luta monopolizadora e canibalesca é moral? Ou será, para além de brutalmente injusta, imoral? Mas isso, que seja ou não seja uma política imoral, não os preocupa. Recentemente, um dirigente do PSD não hesitou em afirmar que política e moral são coisas completamente distintas. Engana-se: a imoralidade que pratica revela a sua (dele) imoralidade.
Realmente, como pode o artista ignorar as injustiças sociais? Como pode o artista realizar uma obra totalmente alheia ao mundo e ao momento em que vive? Aqui, por exemplo, e agora: será legítimo, honesto e possível esquecer o drama social que abala o Estado? O Estado somos nós –não é uma empresa como a do Sr. Fulano, que considera e reconsidera abrir ou não abrir falência. Há quem fale dos perigos de um Estado mínimo, despojado, diminuído, incapaz de garantir direitos fundamentais: a saúde, o ensino, a assistência social –em suma: há quem tema o advento de um Estado associal e apenas formalmente democrático, pois, à democracia, se substituirá a plutocracia. E quem fala disso tem muita razão.
Essa é a meta dos novos liberais e dos neoconservadores, aqui representados pelo PSD e os seus cavaquistas e pelo CDS. Vendo bem, não lhes assiste nenhuma ética. O que pretendem: a desmontagem sistemática do Estado; a privatização e domínio de tudo quanto rende; o controlo da economia. Pergunto: essa luta monopolizadora e canibalesca é moral? Ou será, para além de brutalmente injusta, imoral? Mas isso, que seja ou não seja uma política imoral, não os preocupa. Recentemente, um dirigente do PSD não hesitou em afirmar que política e moral são coisas completamente distintas. Engana-se: a imoralidade que pratica revela a sua (dele) imoralidade.
A escolha política é essencialmente uma escolha ética -porque toda a política corresponde a uma visão ética da sociedade: esta visão ética ou aquela visão ética. E, tornando à escritora Arundathi Roy: nenhum intelectual que se respeite pode ficar indiferente à destruição do Estado social –de um Estado que disponha de meios para responder à tragédia (à crise) em que nos meteu o neoliberalismo selvagem.
Não podia estar mais de acordo!
ResponderEliminarJá agora, uma homenagem a Arundathi Roy, que me deu o prazer de ler "O Deus das pequenas coisas".