
O que aconteceu, ontem, foi o seguinte:
o PS venceu as eleições, com 36,56 % dos votos, perdeu 8,47% e a maioria absoluta (-25 deputados)
o PSD teve 29,09 % e ganhou 0,32 % (+3 deputados)
o CDS teve 10,46% e ganhou 3,22 % (+9 deputados)
o BE teve 9,85 % e ganhou 3,5% (+ 8 deputados)
o PCP teve 7,88% e ganhou 0,34% (+1 deputado)
quando ainda se desconhecem os votos da emigração’
o PS venceu as eleições, com 36,56 % dos votos, perdeu 8,47% e a maioria absoluta (-25 deputados)
o PSD teve 29,09 % e ganhou 0,32 % (+3 deputados)
o CDS teve 10,46% e ganhou 3,22 % (+9 deputados)
o BE teve 9,85 % e ganhou 3,5% (+ 8 deputados)
o PCP teve 7,88% e ganhou 0,34% (+1 deputado)
quando ainda se desconhecem os votos da emigração’
A esquerda junta 54, 29 % de votos e 127 deputados
A direita junta 39,55 % e 99 deputados
A esquerda é amplamente majoritária na Assembleia da República.
A direita junta 39,55 % e 99 deputados
A esquerda é amplamente majoritária na Assembleia da República.
O PS ou terá de formar ou um governo de maioria relativa, dependente de acordos parlamentares mais ou menos pontuais ou um governo de coligação.
O PS fará uma coligação à esquerda, aquela que seria mais lógica, dado que o PS é um partido de esquerda?
Mas o BE e o PCP estarão interessados em coligar-se com o PS?
E, se estiverem, em que condições aceitarão coligar-se?
Não pensará o BE que pode valer a pena ao BE esperar os tais dois anos de vida que profetas e agoirentos já decidiram serem os da nova legislatura –e beneficiar, assim, de mais uma quase segura descida do PS?,
ou beneficiar de uma eventual coligação do PS, quer com o PSD, quer com o CDS, de um PS a governar necessariamente chegado à direita –porque todos sabemos que o PSD não é um partido socialdemocrata, é um partido liberal, e nem se discute se o CDS é ou não um partido da direita tradicionalista, porque o é.
Não poderá pensar o PCP da mesma maneira?
A meu ver:
a coligação PS/PSD seria uma espécie de suicídio a dois e é muito difícil adivinhar qual dos dois sairia menos debilitado...
a coligação PS/CDS seria igualmente desastrosa para o PS e confirmaria o reformismo direitista dos governos de Sócrates.
De onde concluo o que até já o meu barbeiro concluiu: Sócrates tem pela frente um mar de dificuldades.
E todos, à uma e de boa e má fé, perguntamos: afoga-se ou não se afoga?
O que irá passar-se com José Sócrates, primeiro-ministro cessante, certamente em vias de ser convidado a formar governo, pelo PR; o que irá fazer o actual secretário-geral do PS?
Actual, porque, bem o disse Ian Fleming, ‘só os diamantes são para sempre”...
Certamente, não recusará Sócrates o convite do PR nem abandonará a liderança do PS.
Ainda que isso possa vir a acontecer, abandonar Sócrates a liderança do PS –mas não para dar razão ao que o atrabiliário Vasco Pulido Valente, sempre amargo, megalómano e leviano na esperteza oscilante, escreve no Público de hoje:
‘Quanto a Sócrates, coitado, começou o caminho para o fim’.
Sócrates, quando sair, nunca sairá como um coitado.
...Além do mais, nunca se deve considerar um político findo, acabado. São expressões erradas... impossíveis, em política.
Sócrates não sairá à maneira triste, manhosa, de Cavaco, quando passou a bola a Fernando Nogueira, nem à maneira irresponsável de Guterres, nem à maneira oportunista de Durão Barroso.
Sócrates tem a sua ideia de governar e, se não conseguir levá-la avante -como ela é: como a sua ideia é-, afastar-se-à, dignamente, e dirá porquê.
Porque acredito no Estado Social e no socialismo, desde o princípio, segui, atenta e criticamente, a governação de Sócrate. Revoltei-me, indignei-me, discordei e concordei –porque se errou, em minha opinião, outras vezes acertou.
O PS fará uma coligação à esquerda, aquela que seria mais lógica, dado que o PS é um partido de esquerda?
Mas o BE e o PCP estarão interessados em coligar-se com o PS?
E, se estiverem, em que condições aceitarão coligar-se?
Não pensará o BE que pode valer a pena ao BE esperar os tais dois anos de vida que profetas e agoirentos já decidiram serem os da nova legislatura –e beneficiar, assim, de mais uma quase segura descida do PS?,
ou beneficiar de uma eventual coligação do PS, quer com o PSD, quer com o CDS, de um PS a governar necessariamente chegado à direita –porque todos sabemos que o PSD não é um partido socialdemocrata, é um partido liberal, e nem se discute se o CDS é ou não um partido da direita tradicionalista, porque o é.
Não poderá pensar o PCP da mesma maneira?
A meu ver:
a coligação PS/PSD seria uma espécie de suicídio a dois e é muito difícil adivinhar qual dos dois sairia menos debilitado...
a coligação PS/CDS seria igualmente desastrosa para o PS e confirmaria o reformismo direitista dos governos de Sócrates.
De onde concluo o que até já o meu barbeiro concluiu: Sócrates tem pela frente um mar de dificuldades.
E todos, à uma e de boa e má fé, perguntamos: afoga-se ou não se afoga?
O que irá passar-se com José Sócrates, primeiro-ministro cessante, certamente em vias de ser convidado a formar governo, pelo PR; o que irá fazer o actual secretário-geral do PS?
Actual, porque, bem o disse Ian Fleming, ‘só os diamantes são para sempre”...
Certamente, não recusará Sócrates o convite do PR nem abandonará a liderança do PS.
Ainda que isso possa vir a acontecer, abandonar Sócrates a liderança do PS –mas não para dar razão ao que o atrabiliário Vasco Pulido Valente, sempre amargo, megalómano e leviano na esperteza oscilante, escreve no Público de hoje:
‘Quanto a Sócrates, coitado, começou o caminho para o fim’.
Sócrates, quando sair, nunca sairá como um coitado.
...Além do mais, nunca se deve considerar um político findo, acabado. São expressões erradas... impossíveis, em política.
Sócrates não sairá à maneira triste, manhosa, de Cavaco, quando passou a bola a Fernando Nogueira, nem à maneira irresponsável de Guterres, nem à maneira oportunista de Durão Barroso.
Sócrates tem a sua ideia de governar e, se não conseguir levá-la avante -como ela é: como a sua ideia é-, afastar-se-à, dignamente, e dirá porquê.
Porque acredito no Estado Social e no socialismo, desde o princípio, segui, atenta e criticamente, a governação de Sócrate. Revoltei-me, indignei-me, discordei e concordei –porque se errou, em minha opinião, outras vezes acertou.
Desde o princípio, segui Sócrates com olhar positivo –tal qual olho seja para quem for, porque recuso preconceitos e acho que ódio e acidez fazem muito mal, não apenas ao estômago mas também ao cérebro.
Tenho, para mim, sinceramente, que José Sócrates é um homem inteligente e culto e coerente com o que pensa.
Que eu não esteja, muitas vezes, de acordo com ele, isso é outra história.
Tenho, para mim, sinceramente, que José Sócrates é um homem inteligente e culto e coerente com o que pensa.
Que eu não esteja, muitas vezes, de acordo com ele, isso é outra história.
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