segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O dia de hoje: ontem prevaleceram o lúcido civismo e a esquerda majoritária...



O que aconteceu, ontem, foi o seguinte:

o PS venceu as eleições, com 36,56 % dos votos, perdeu 8,47% e a maioria absoluta (-25 deputados)

o PSD teve 29,09 % e ganhou 0,32 % (+3 deputados)

o CDS teve 10,46% e ganhou 3,22 % (+9 deputados)

o BE teve 9,85 % e ganhou 3,5% (+ 8 deputados)

o PCP teve 7,88% e ganhou 0,34% (+1 deputado)

quando ainda se desconhecem os votos da emigração’


A esquerda junta 54, 29 % de votos e 127 deputados

A direita junta 39,55 % e 99 deputados

A esquerda é amplamente majoritária na Assembleia da República.


O PS ou terá de formar ou um governo de maioria relativa, dependente de acordos parlamentares mais ou menos pontuais ou um governo de coligação.

O PS fará uma coligação à esquerda, aquela que seria mais lógica, dado que o PS é um partido de esquerda?

Mas o BE e o PCP estarão interessados em coligar-se com o PS?

E, se estiverem, em que condições aceitarão coligar-se?

Não pensará o BE que pode valer a pena ao BE esperar os tais dois anos de vida que profetas e agoirentos já decidiram serem os da nova legislatura –e beneficiar, assim, de mais uma quase segura descida do PS?,

ou beneficiar de uma eventual coligação do PS, quer com o PSD, quer com o CDS, de um PS a governar necessariamente chegado à direita –porque todos sabemos que o PSD não é um partido socialdemocrata, é um partido liberal, e nem se discute se o CDS é ou não um partido da direita tradicionalista, porque o é.

Não poderá pensar o PCP da mesma maneira?

A meu ver:

a coligação PS/PSD seria uma espécie de suicídio a dois e é muito difícil adivinhar qual dos dois sairia menos debilitado...

a coligação PS/CDS seria igualmente desastrosa para o PS e confirmaria o reformismo direitista dos governos de Sócrates.

De onde concluo o que até já o meu barbeiro concluiu: Sócrates tem pela frente um mar de dificuldades.

E todos, à uma e de boa e má fé, perguntamos: afoga-se ou não se afoga?

O que irá passar-se com José Sócrates, primeiro-ministro cessante, certamente em vias de ser convidado a formar governo, pelo PR; o que irá fazer o actual secretário-geral do PS?

Actual, porque, bem o disse Ian Fleming, ‘só os diamantes são para sempre”...

Certamente, não recusará Sócrates o convite do PR nem abandonará a liderança do PS.

Ainda que isso possa vir a acontecer, abandonar Sócrates a liderança do PS –mas não para dar razão ao que o atrabiliário Vasco Pulido Valente, sempre amargo, megalómano e leviano na esperteza oscilante, escreve no Público de hoje:

‘Quanto a Sócrates, coitado, começou o caminho para o fim’.

Sócrates, quando sair, nunca sairá como um coitado.

...Além do mais, nunca se deve considerar um político findo, acabado. São expressões erradas... impossíveis, em política.

Sócrates não sairá à maneira triste, manhosa, de Cavaco, quando passou a bola a Fernando Nogueira, nem à maneira irresponsável de Guterres, nem à maneira oportunista de Durão Barroso.

Sócrates tem a sua ideia de governar e, se não conseguir levá-la avante -como ela é: como a sua ideia é-, afastar-se-à, dignamente, e dirá porquê.

Porque acredito no Estado Social e no socialismo, desde o princípio, segui, atenta e criticamente, a governação de Sócrate. Revoltei-me, indignei-me, discordei e concordei –porque se errou, em minha opinião, outras vezes acertou.


Desde o princípio, segui Sócrates com olhar positivo –tal qual olho seja para quem for, porque recuso preconceitos e acho que ódio e acidez fazem muito mal, não apenas ao estômago mas também ao cérebro.

Tenho, para mim, sinceramente, que José Sócrates é um homem inteligente e culto e coerente com o que pensa.

Que eu não esteja, muitas vezes, de acordo com ele, isso é outra história.

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