Piranesi, 'os cárceres': aqui gastamos o nosso dia a dia...
...a beleza do mundo e a coragem de a olhar de frente......Georges Bernanos companheiro da viagem deslumbrante no fio da navalha...
De quando em quando, volto a Georges Bernanos, ao Mestre de Le Journal d’un curé de campagne. Não quero envelhecer. O tempo passa, inexorável, e todos envelhecemos. Mas é cá dentro, que eu não quero envelhecer. O nosso espírito não pode não envelhecer. O nosso sonho não pode envelhecer.
Torno a Bernanos, para que ele me recorde que não devemos deixar morrer a criança que fomos –e que devemos ser-lhe fieis. Há, sempre, nas suas páginas uma palavra que ajuda a não trair o sonho.
E, hoje, talvez ainda seja mais difícil do que ontem não trair. O nosso tempo é o dos novos escravos e dos resignados. É o tempo em que se proíbe ao homem viver a sua vida: o tempo que lhe cabe.
Hoje é, também, o tempo da solidão e da indiferença, do medo e das portas fechadas –as portas da nossa alma encolhida, desaprendida de se confiar ao Outro. De amar o Outro.
Que fizemos de nós? Como foi possível consentirmos em que nos humilhassem tanto?
Como foi possível rendermo-nos, sem luta?
Não arriscamos, por isso, perdemos. Escondemo-nos e definhamos, na nossa miséria. Erramos no deserto dos falsários.
Georges Bernanos sabia que era assim, porque leu os sinais:
“Entregarmo-nos e comprometermo-nos, inteiramente... Sabemos bem que a maior parte de nós dá, apenas, uma pequena parte de si próprio –uma parte ridiculamente pequena do seu ser, como os avarentos ricos dos quais se dizia que davam o rendimento... dos seus rendimentos.”
Trocámos progresso por retrocesso e aceitámos o Inferno na vida, que nunca foi assim tão desumana e sem sentido. O nosso dia a dia passa-se nos cárceres que Giovanni Battista Piranesi (1720-1789) retratou muito antes de Kafka.
De quando em quando, volto a Georges Bernanos, ao Mestre de Le Journal d’un curé de campagne. Não quero envelhecer. O tempo passa, inexorável, e todos envelhecemos. Mas é cá dentro, que eu não quero envelhecer. O nosso espírito não pode não envelhecer. O nosso sonho não pode envelhecer.
Torno a Bernanos, para que ele me recorde que não devemos deixar morrer a criança que fomos –e que devemos ser-lhe fieis. Há, sempre, nas suas páginas uma palavra que ajuda a não trair o sonho.
E, hoje, talvez ainda seja mais difícil do que ontem não trair. O nosso tempo é o dos novos escravos e dos resignados. É o tempo em que se proíbe ao homem viver a sua vida: o tempo que lhe cabe.
Hoje é, também, o tempo da solidão e da indiferença, do medo e das portas fechadas –as portas da nossa alma encolhida, desaprendida de se confiar ao Outro. De amar o Outro.
Que fizemos de nós? Como foi possível consentirmos em que nos humilhassem tanto?
Como foi possível rendermo-nos, sem luta?
Não arriscamos, por isso, perdemos. Escondemo-nos e definhamos, na nossa miséria. Erramos no deserto dos falsários.
Georges Bernanos sabia que era assim, porque leu os sinais:
“Entregarmo-nos e comprometermo-nos, inteiramente... Sabemos bem que a maior parte de nós dá, apenas, uma pequena parte de si próprio –uma parte ridiculamente pequena do seu ser, como os avarentos ricos dos quais se dizia que davam o rendimento... dos seus rendimentos.”
Trocámos progresso por retrocesso e aceitámos o Inferno na vida, que nunca foi assim tão desumana e sem sentido. O nosso dia a dia passa-se nos cárceres que Giovanni Battista Piranesi (1720-1789) retratou muito antes de Kafka.

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