terça-feira, 15 de setembro de 2009

Um Presidente da República eleito pelo amor do seu povo um homem corajoso e simples visita os nossos vizinhos espanhóis...


...ele sabe que as condecorações e os títulos e as tretas doutorais de Cambridge de Boston ou de Poço do Bispo não valem coisíssima nenhuma comparados com a luta que é ajudar um povo a libertar-se...



Olho para este homem, com respeito.

Evo Morales, filho de humildes camponeses de Orinoca, nas montanhas de Oruro, índio ameríndio, cujas universidades foram o combate de vidas que arrancam à terra e à ganância dos mandantes o pão de cada dia.

Sigo o seu ainda curto trajecto de Presidente da república mais pobre da América do Sul (70% da população vive abaixo do nível de pobreza) e admiro-o. Foi-me simpático, à primeira vista.

Há, no seu olhar, uma luz de verdade. É, certamente, um homem sincero. E é um homem corajoso. É um homem... humano.

Tem os dias contados, pergunto-me? As grandes multinacionais, que exploraram as riquezas da Bolívia -as suas reservas de gás, por exemplo, são as segundas da América do Sul-, as oligarquias que subtraíram ao povo o amanho da terra (80% das terras cultiváveis pertencem a 7% da população), os interesses organizados que nada têm a ver com a miséria e a fome dos bolivianos –até quando todos esses vão ‘suportar’ Evo Morales?

Porque este homem sabe e quer. Eleito em 2006, abandonou a política neoliberal e lançou uma política “social-comunitária”. Aprovou nova constituição, promoveu uma reforma agrícola, nacionalizou os hidrocarburantes.

Vejam só! Imaginam a nossa padeira de Aljubarrota ressuscitada -Manuela Ferreira Leite- e os seus cavaquistas neoliberalissímos a analisarem uma coisas dessas?

Era um incêndio, um desbocar de chamas, um arder enraivecido!

Pois ‘uma coisa dessas’ aconteceu... E a maioria esmagadora do povo boliviano, índios andinos, recomeçou a acreditar na vida. E a comer... e a trabalhar... e a ter assistência médica, escolas, futuro...

Evo Morales está de visita a Espanha, onde foi recebido pelo Rei e pelo primeiro-ministro, o socialista Zapatero. Não consta que lhe tenham chamado... radical irresponsável (por aqui, os ‘salvadores da Pátria’, que anseiam chegar ao poder, chamar-lhe-iam, pelo menos, porco comunista e comedor de crianças...). É pena não haver, ainda, TGV –senão tinhamo-lo aí num instante e seria bem vindo.

Ah!, esquecia-me de que ainda falta um ano para votarmos um novo presidente...

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