Hoje, pelas 17, no Auditório do Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, é apresentado o Livro de Amizade, Lembrando Mário Sacramento, Edições Húmus.
A coordenação da obra coube a João Sarabando, Joaquim Correia e a Cecília Sacramento. O prefácio é de Jorge Sarabando. A apresentação é de António Pedro Pita.
Trata-se da homenagem a um escritor excelente, exemplarmente independente, que deixou obra admirável, mas ferida pela brutalidade da ditadura em que viveu.
Aqueles que cresceram e nasceram depois do 25 de Abril não podem imaginar que tempo foi nem a que inferno escaparam.
A tragédia da inteligência, a mordaça, a anquilose, a castração que o salazarismo representou –evoca-o, Mário Sacramento, nestas linhas do seu Diário dolorido:
Vamos morrendo num charco de espantos. Do que estivemos para ser ninguém saberá! Esperámos 10, 20, 30, 40 anos... E que queríamos? Apenas o direito de interrogar e acertar a vida, de sermos homens na companhia de homens. Uma chuva de escórias tudo cobriu e crestou. É crime viver. É crime pensar. Porque só se vive e só se pensa ‘de’ e ‘com’ –e esses foram bloqueados.
(...)
O que custa são os sonhos mortos –o não faço hoje, o fica para amanhã, o amanhã de nunca.’
Era nas escolas que se deveria contar essas coisas. Urgentemente. Antes que consigam que deixemos de as saber. Como se nunca tivessem existido.
Mais um crime possível...
A coordenação da obra coube a João Sarabando, Joaquim Correia e a Cecília Sacramento. O prefácio é de Jorge Sarabando. A apresentação é de António Pedro Pita.
Trata-se da homenagem a um escritor excelente, exemplarmente independente, que deixou obra admirável, mas ferida pela brutalidade da ditadura em que viveu.
Aqueles que cresceram e nasceram depois do 25 de Abril não podem imaginar que tempo foi nem a que inferno escaparam.
A tragédia da inteligência, a mordaça, a anquilose, a castração que o salazarismo representou –evoca-o, Mário Sacramento, nestas linhas do seu Diário dolorido:
Vamos morrendo num charco de espantos. Do que estivemos para ser ninguém saberá! Esperámos 10, 20, 30, 40 anos... E que queríamos? Apenas o direito de interrogar e acertar a vida, de sermos homens na companhia de homens. Uma chuva de escórias tudo cobriu e crestou. É crime viver. É crime pensar. Porque só se vive e só se pensa ‘de’ e ‘com’ –e esses foram bloqueados.
(...)
O que custa são os sonhos mortos –o não faço hoje, o fica para amanhã, o amanhã de nunca.’
Era nas escolas que se deveria contar essas coisas. Urgentemente. Antes que consigam que deixemos de as saber. Como se nunca tivessem existido.
Mais um crime possível...
O Salazarismo tentou sufocar, mas não o sufocou, prova que homenageamos um "humanista integral" cujo Pensamento foi livre que dedicou totalmente a vida a uma luta renhida para gozarmos hoje a Liberdade.
ResponderEliminarEunice de Almeida Malaquias Vouillot
Tese na Sorbonne: MS, o homem e a obra (2OO2).
Adaptação em português no prelo.