AS RAZÕES PARA LER
Há autores que fixam um público e cuja leitura atravessa gerações. Entre nós, Camilo, Eça, António Nobre, Mário de Sá-Carneiro, por exemplo. E não penso nos escrivães industriais, descartáveis, ocos como o ovo de avestruz coleccionado pelos turistas que saltam de “resort” para “resort”, matéria perecível. Qual o motivo desse sucesso surdo -os críticos avençados e os também caducos noticiários não os aclamam-, indiferente a modas e às traficâncias literatas? Por que atraem eles, os tais imortais, o leitor comum, quase nunca o intelectual de serviço? O que não quer dizer que não façam parte da biblioteca ideal de escritores de qualidade. Recordo o relevo que dava José Régio, na sua selecta livraria, precisamente a Camilo e a Nobre. E se já aqui o assinalei, aqui o repito: Régio morreu com um romance de Camilo, à cabeceira. Não me admirava se Fernando Pessoa, antes de entrar no coma alcoólico, tivesse relido o amigo dilecto, Sá-Carneiro –naturalíssima escolha, já que o considerava o maior dos dois (ele e Mário). Quanto a mim, tinha razão e aí está: que razão me faz dizer que Pessoa tinha razão?
Saiu, agora, em Inglaterra, um livro que trata do assunto, perguntando pelo segredo do êxito inextinguível de Jane Austen: A truth universally acknowledge: 33 great writers on why we read Jane. De Virgínia Woolf a Martin Amis. As respostas, subjectivas por mais objectivas que se queiram, vão dar ao mesmo: porque ela (1775-1817) é actual. E, se é actual, só pode sê-lo caso a sua problemática seja actual e a sua voz nos toque: por detrás das palavras, haja alguém “vivo” que analisa os dramas dos vivos. O que, de facto, acontece, nas obras de Jane Austen. E de Camilo e de Eça e de Régio... E de outros que conseguiram abrir as portas de novos mundos e nos convidaram a acompanhá-los na sua descoberta.
Saiu, agora, em Inglaterra, um livro que trata do assunto, perguntando pelo segredo do êxito inextinguível de Jane Austen: A truth universally acknowledge: 33 great writers on why we read Jane. De Virgínia Woolf a Martin Amis. As respostas, subjectivas por mais objectivas que se queiram, vão dar ao mesmo: porque ela (1775-1817) é actual. E, se é actual, só pode sê-lo caso a sua problemática seja actual e a sua voz nos toque: por detrás das palavras, haja alguém “vivo” que analisa os dramas dos vivos. O que, de facto, acontece, nas obras de Jane Austen. E de Camilo e de Eça e de Régio... E de outros que conseguiram abrir as portas de novos mundos e nos convidaram a acompanhá-los na sua descoberta.
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