sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O dia de hoje: um belíssimo poema de José Régio, a um mês do 40º aniversário da sua morte

...Vila do Conde, a terra onde nasceu e morreu José Régio...




Estação Termino

Como um navio no mar
A meio da noite a casa,
E o vento e a chuva em redor.
Lá dentro, a um canto do lar
Onde um bom tronco se abrasa,
O homem espera.
Se alguém chegar,
Terá luz, terá calor.
Batem à porta. Quem dera
Que fosse realidade!
Já teve tais decepções
O homem que está à espera!
Mas agora alguém batera
Que chega da tempestade,
Que percorreu solidões...
“Entre quem é!” Pode ser
Alguém que venha roubar,
Assassinar, ofender...
“Entre quem é!” Não importa.
Se alguém vem que bate à porta,
O homem só quer abrir.
Chegou, por fim, a saber
Que venha lá quem vier,
Seja quem for,
Só um dos dois pode ser
Desde que não a fingir: A Morte, o Amor.
(de Cântico Suspenso)

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