... vale da Candieira...Na cura quotidiana, a reler Aquilino, quando não Camilo, ou Tomaz de Figueiredo, ou João de Araújo Correia, se não recorro à pureza singela de Bernardes ou a João de Deus, para limpar alma e língua dos despautérios da televisão e, agora, especialmente, dos relatos futebolísticos, de onde saltam, à moda de coelhos, palavrões e frases que duram o que duram, mas deixam marcas,
‘mas não só’
‘curiosamente’
‘recorrentemente’
e mais esta pérola:
‘o golo não é expectável’...,
topo uma passagem de Arcas Encoiradas, onde Aquilino refere ‘a emigração intensiva e êxodo para as cidades’ -corria o ano de 1953...- e, adiante, a violência e a dor da emigração:
‘A aldeia tornou-se-lhe um degredo. Os apelos de longe, de melhor, tentam-no e enervam-no. Na Baía, num dos miradouros sobranceiros ao porto, encontrei um estucador de Afife, com os olhos no “Vera Cruz” rasos de lágrimas. Um carpinteiro de Insalde dizia-me no Rio: -“Terra da minha alma, porque me vim embora?!”
‘mas não só’
‘curiosamente’
‘recorrentemente’
e mais esta pérola:
‘o golo não é expectável’...,
topo uma passagem de Arcas Encoiradas, onde Aquilino refere ‘a emigração intensiva e êxodo para as cidades’ -corria o ano de 1953...- e, adiante, a violência e a dor da emigração:
‘A aldeia tornou-se-lhe um degredo. Os apelos de longe, de melhor, tentam-no e enervam-no. Na Baía, num dos miradouros sobranceiros ao porto, encontrei um estucador de Afife, com os olhos no “Vera Cruz” rasos de lágrimas. Um carpinteiro de Insalde dizia-me no Rio: -“Terra da minha alma, porque me vim embora?!”
Mestre Aquilino falava de gente do Alto Minho; eu penso no povo deste país inteiro –porque, hoje, é o país inteiro que se tornou degredo.
E lembro uma bonita transmontana, personalidade forte mais de quebrar que torcer, amiga que encontrei, há meses, em Londres, num Pub de Trafalgar Square, esperançada nos ganhos e a confiar-me. “Lá vou pagando o apartamento na terrinha... vamos a ver...”
Vamos a ver se volta... porque nunca houve emigrantes voluntários.
Vamos a ver se volta... porque nunca houve emigrantes voluntários.
E muitos milhões andam pelo mundo, se calhar de olhos rasos de água.
Olá Manel
ResponderEliminarTenho-o lido aqui e no blog do Américo Rodrigues.No comentário ao post "Maria do Carmo",dizia além doutras coisas que conhecia a Guarda desde 1950.Pois é e eu conheço-o a si desde 1958,mas não da Guarda mas sim de Celorico da Beira.Viveu na casa que os meus pais alugaram aos seus,durante essas décadas.Já nessa altura, apesar de não o perceber muito bem, por ser ainda uma criança,ficava encantada ao ouvi-lo falar de coisas inacessíveis ao meu conhecimento e cultura.As mais velhas ás vezes deixavam-nos ir nos passeios das noites quentes em Setembro!Olhe mando-lhe saudades do castelo já que aquele pinheiro manso "a pinheira" não resistiu ás obras na abertura da IP5, agora A25.Maria José Saraiva