
RÉGIO E A JUVENTUDE
Se escolhesse um texto de José Régio com o fim de chegar de imediato à juventude e estabelecer um diálogo e, quase certamente, empolgá-la; se quisesse mostrar a extraordinária juventude de Régio aos jovens de hoje, mal compreendidos e mal orientados, não iria buscar Cântico Negro –dar-lhes-ia a ler o breve ensaio esquecido (nenhum manual de ensino o transcreve): a lição inútil ou carta a um juvenil individualista (“presença”, nº 14-15). Debate-se a juventude, presa dos tentáculos de um polvo -o mercado- que quer usá-la como consumidora dos produtos descartáveis e sujeito dessa feira de inutilidades. E luta sozinha pela sua diferença. Escolho um “sinal” do texto regiano, que se cola a esse combate: “Ser de uma determinada maneira pessoal e fatal –qualquer coisa que seja!”
José Régio nunca lisonjeou os jovens; exigiu-lhes a coragem de serem eles próprios. Sejam eles como forem, mas verdadeiramente eles –o modo de se ser moderno, que ser moderno é sermos nós. Régio entendia que, adulando os jovens, não os faria avançar. A sua ideia era empurrá-los, não era marcar passo, ao lado deles. Todos sabemos que tem graça jogar ao berlinde, mas talvez não esteja aí a emancipação de ninguém. Quando, na semana passada, eu lastimava a pobreza do ensino da leitura –pensava nisso. Ser actual não é consentir em banalidades na moda, é ajudar a escaparem à massificação os que sofrem o choque desta actualidade. Como? Discutindo com os jovens o sentido das atitudes e, assim, levando-os a buscarem estradas que, realmente, lhes pertençam. Régio morreu vai para quarenta anos e está “vivo” –apesar de silenciado nas escolas.
Se escolhesse um texto de José Régio com o fim de chegar de imediato à juventude e estabelecer um diálogo e, quase certamente, empolgá-la; se quisesse mostrar a extraordinária juventude de Régio aos jovens de hoje, mal compreendidos e mal orientados, não iria buscar Cântico Negro –dar-lhes-ia a ler o breve ensaio esquecido (nenhum manual de ensino o transcreve): a lição inútil ou carta a um juvenil individualista (“presença”, nº 14-15). Debate-se a juventude, presa dos tentáculos de um polvo -o mercado- que quer usá-la como consumidora dos produtos descartáveis e sujeito dessa feira de inutilidades. E luta sozinha pela sua diferença. Escolho um “sinal” do texto regiano, que se cola a esse combate: “Ser de uma determinada maneira pessoal e fatal –qualquer coisa que seja!”
José Régio nunca lisonjeou os jovens; exigiu-lhes a coragem de serem eles próprios. Sejam eles como forem, mas verdadeiramente eles –o modo de se ser moderno, que ser moderno é sermos nós. Régio entendia que, adulando os jovens, não os faria avançar. A sua ideia era empurrá-los, não era marcar passo, ao lado deles. Todos sabemos que tem graça jogar ao berlinde, mas talvez não esteja aí a emancipação de ninguém. Quando, na semana passada, eu lastimava a pobreza do ensino da leitura –pensava nisso. Ser actual não é consentir em banalidades na moda, é ajudar a escaparem à massificação os que sofrem o choque desta actualidade. Como? Discutindo com os jovens o sentido das atitudes e, assim, levando-os a buscarem estradas que, realmente, lhes pertençam. Régio morreu vai para quarenta anos e está “vivo” –apesar de silenciado nas escolas.
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