domingo, 8 de novembro de 2009

A morte do livro ou ninguém sabe ler se ninguém lhe ensinar...





Faz, agora, parte das notícias obrigatórias o anúncio do fim da obra impressa: do livro. A net já teria começado a tratar-lhe da saúde. Esse discurso não passa de realíssimo disparate. Cada macaco no seu galho: à net o que é da net e ao livro o que é do livro. Enquanto as pessoas souberem apreciar a leitura –continuarão a existir livros. Deixemos o bibliómano e o seu amor às obras raras; não é disso que se trata, é das vantagens do papel impresso, tanta ela é que o netdependente imprime (e guarda) aquilo de que precisa. Não passa de um problema de cultura. O mercado oferece o superficial e o descartável, a festa de computadores para todo o serviço –e o feliz ignorante entrega-se ao que diverte (e lhe embota a sensibilidade e o anestesia).

Como hão-de querer ler aqueles a quem não ensinam a ler, e impingem literatura de segunda categoria com breves toques de qualidade pelo meio? O ensino da leitura, no básico e no secundário é um desastre –um crime. Os alunos terminam os cursos a desconhecerem, completamente, a nossa Literatura. Ficam alguns, poucos, nomes: Camões, Vieira, Pessoa, Eça, Cesário, Torga, Sophia, Eugénio de Andrade e, no 10º ano, uma estrangeira, caída de pára-quedas: Marguerite Yourcenar. Tudo desgarrado, polvilhado, entremeado com autores menores. Explicam-se os “media” e, ó céus!, a publicidade e os “textos utilitários”! A imbecil obsessão da “actualidade” (o compadrio?) leva os responsáveis a impor autores insignificantes e a ignorar, por exemplo (escandaloso), Régio. Pedagogicamente, aconselham Nicholas Spark e Dan Brown. Ensina-se o gosto pela leitura? Não: desacredita-se a leitura.

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