
Georges Simenon, o homem que sabia tudo...
Chamarem-lhe literatura light absolveu a caterva de obras nulas, lançadas no mercado, para isso mesmo: para satisfazerem aqueles que nada procuram nos livros. Naturalmente, sempre existiram essa subliteratura e esse público adepto da treta, mas nunca existiu um mercado como o de hoje, capaz de condicionar o gosto e estimular a pobreza intelectual que refreia e elimina exigências. Transformaram-nos a todos em cães de Pavlov: toca a publicidade e nós corremos a consumir. Inevitável? Com certeza, é uma força que nos escapa –mas é um fenómeno letal: pior que marcar passo, desmiola, petrifica. Ou seja: ficamos como estávamos. E a Literatura tem um papel: inquietar, evitar a abulia esterilizadora. Uma coisa é escrever essencialmente, sempre junto ao nervo, que faz vibrar; outra é escrever banalidades.
Georges Simenon morreu há 20 anos, em Setembro de 1989, e, com ele, o génio de fixar, em poucas e simples palavras, as paixões dos homens. André Gide definia, Simenon: “com certeza, o maior e o mais verdadeiramente romancista que existe, hoje, em França”. José Régio devorava-o, deslumbrado: “Bastam-lhe dez linhas, para criar um ambiente”. E bastava-lhe, também, pouco tempo: dias, semanas, às vezes, raras vezes, meses. Ficava em transe. Não pensava em mais nada. Mergulhava na história e nas figuras e vivia só com elas. Nada o poderia distrair. Um dia, na rua, cumprimentou a mulher, sem a reconhecer. Ia com outra, a -heroína do romance... E conseguia agarrar a chave do drama, a verdade dos comparsas. Ela via e compreendia tudo. Compreender, sem julgar, era o seu lema –e, respeitando-o, mostrava a vida viva, contraditórias mas apaixonante. Tal qual a obra do demiurgo-monstro, do mágico da palavra evidente, Georges Simenon.
Uma coisa é escrever simplesmente, outra coisa é escrever banalidades.
Gostei muito de todos os livros que li dele sobretudo policiais e um que tinha por título "A Sonsa". Pelos ambientes e pelos personagens que me pareciam sempre reais.
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