...o animal está exausto, sangrado, ludibriado, a dar as últimas... que raio de coragem é a do matador?...
...nenhum risco justifica a crueldade......E, depois, que risco? O touro é sangrado, rasgado, embriagado em voltas e voltas que os capinhas -os peões-de-brega- o obrigam a dar.
O touro chega às mãos do matador, desfeito, desorientado, exausto.
Torturado até ao limite que não se ultrapassa para que chegue vivo às mãos do matador.
Qual é a coragem do matador?
Qual é a beleza da crueldade gratuita?
E por que é que esse espectáculo me é, hoje, insuportável?
Quando eu era pequeno, o meu pai levava-me ao Campo Pequeno, em Lisboa, e vi Manolete, Ortega... delirei com as faenas, aplaudi a destreza do Mestre de cavaleiros, Núncio...
Bem sei, não se matava. Os touros saiam vivos, dali, para... o matadouro...
Mais tarde, assisti a corridas, com touros de morte, em Espanha, nos arredores de Ávila.
Já era crescido... e impressionaram-me, também... No entanto, impressionou-me, sobretudo, incomodou-me a brutalidade dos picadores, os lençóis de sangue, que escorriam pelo dorso da besta acossada, ludibriada, atraiçoada...
...a deslealdade do combate viciado.
Trepadeira, no comentário ao artigo de Manuel A Pina, que transcrevi, ontem, insurge-se contra a ‘falsa festa’.
E por que é que, hoje, ela também me revolta?
O touro chega às mãos do matador, desfeito, desorientado, exausto.
Torturado até ao limite que não se ultrapassa para que chegue vivo às mãos do matador.
Qual é a coragem do matador?
Qual é a beleza da crueldade gratuita?
E por que é que esse espectáculo me é, hoje, insuportável?
Quando eu era pequeno, o meu pai levava-me ao Campo Pequeno, em Lisboa, e vi Manolete, Ortega... delirei com as faenas, aplaudi a destreza do Mestre de cavaleiros, Núncio...
Bem sei, não se matava. Os touros saiam vivos, dali, para... o matadouro...
Mais tarde, assisti a corridas, com touros de morte, em Espanha, nos arredores de Ávila.
Já era crescido... e impressionaram-me, também... No entanto, impressionou-me, sobretudo, incomodou-me a brutalidade dos picadores, os lençóis de sangue, que escorriam pelo dorso da besta acossada, ludibriada, atraiçoada...
...a deslealdade do combate viciado.
Trepadeira, no comentário ao artigo de Manuel A Pina, que transcrevi, ontem, insurge-se contra a ‘falsa festa’.
E por que é que, hoje, ela também me revolta?
Por uma razão muito simples: um dia, em Roma, meu filho trouxe, para nossa casa, um cachorro rafeiro, que viveu, connosco, 14 anos: Zac.
Em Itália, em Portugal, em S.Tomé, em Israel...
E a convivência com o Zac, meu camarada da Piazza Navona, do Campo dè Fiori, companheiro de infindáveis noite equatoriais, de tardes nos cafés de Telavive...
...o diálogo que estabelecemos mudou, radicalmente, o meu modo de olhar para os animais.
Se dizer o que vou dizer não fosse uma ofensa (para eles, animais)... diria que descobri que eles são humanos.
E repetirei o velho lugar-comum: melhores do que os humanos.
Eles são -como nós e talvez melhor do que nós- criaturas de Deus.
O Zac foi distinguido e merecia-o: era inteligente, compreensivo, generoso...
Morreu em Telavive e repousa na Terra Santa.
Em Itália, em Portugal, em S.Tomé, em Israel...
E a convivência com o Zac, meu camarada da Piazza Navona, do Campo dè Fiori, companheiro de infindáveis noite equatoriais, de tardes nos cafés de Telavive...
...o diálogo que estabelecemos mudou, radicalmente, o meu modo de olhar para os animais.
Se dizer o que vou dizer não fosse uma ofensa (para eles, animais)... diria que descobri que eles são humanos.
E repetirei o velho lugar-comum: melhores do que os humanos.
Eles são -como nós e talvez melhor do que nós- criaturas de Deus.
O Zac foi distinguido e merecia-o: era inteligente, compreensivo, generoso...
Morreu em Telavive e repousa na Terra Santa.
Assino por baixo. Completamente de acordo.
ResponderEliminarNão vou despender este espaço para me revelar um anti touradas (apesar de o ser), nem um fervoroso crítico dos maus tratos aos animais (que condeno vigorosamente), quero antes sublinhar a frase:
"o diálogo que estabelecemos mudou, radicalmente, o meu modo de olhar para os animais"
Com ela disse tudo. É pena que nem toda a gente tente esse diálogo e ache repugnante mudar de atitude em relação aos animais... Uma Repugnância que se confunde com Ignorância.