...às almas boas, Deus leva-lhes a mão cheia de Infinito, de beleza e poesia...Ontem, José Pires Sanches falou-me de Moçambique. Viveu lá mais de dez anos, assistiu à independência e por lá ficou, a trabalhar com ela. Disse-me que tem sonhos terríveis: sonha com Moçambique. Terríveis, porquê? Porque, quando acorda, verifica que não está em Moçambique. E a saudade dói-lhe.
Acontece-me o mesmo, quando sonho com Roma. Nem imaginam o que sofro, ao acordar! Ah!, que saudades da Piazza Navona! Do sr. Mário, da Via dei Portoghesi, do António, do Café della Pace... da Roberta, do Campo dè Fiori...
José Pires Sanches, o poeta errante, que tem poemas escondidos, falou-me, também, de José Craveirinha.
-“Um homem espantosamente bom!”
Eu gosto muito da poesia de Craveirinha e, por coisas que ouvi e pelos retratos, depressa percebi que deveria ser um homem estruturalmente bom.
Não demorará muito, uns poucos de meses, que não vá a Moçambique. Não poderei encontrar-me com José Craveirinha, já se foi. Mas aqui deixo uma pérola sua, uma poesia linda...
O SACRÁRIO
A ausência do corpo.
Amor absoluto.
Amor absoluto.
Hossanas de sol.
De chuva.
De brisa.
E de andorinhas
resvalando as asas
no ombro de uma nuvem.
De chuva.
De brisa.
E de andorinhas
resvalando as asas
no ombro de uma nuvem.
Com uma hérbia mantilha
por cima velando
o teu sacrário.
por cima velando
o teu sacrário.
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