...um dos livros mais belos que li nos últimos tempos...Uma dor de alma
Há muito que um livro me não surpreendia e impressionava tanto. Memórias de Infância de Uma Duriense, de Olga Pinto Barbosa, edição de autor, escassos 300 exemplares, não é, apenas, a narrativa dos anos iniciais, aprendizagem da poesia e do sofrimento. Ramón J. Sender diz que a boa novela não é do intelecto mas sim do entendimento –da interiorização e da compreensão. A autora desta história vivida assim fez: recuperou, no imo, o universo da infância e da adolescência e as pessoas que amou e as que a fizeram sofrer. Tudo entendeu. E, muitas das passagens do seu livrinho atingem a poesia mais límpida, entregam-nos, inalterado, o mundo maravilhoso e cruel do tempo que foi. O estilo essencial e o realismo da frase (do real nasce a poesia) lembram, aqui e ali, Bernardim e o melhor de Irene Lisboa. Por isso, dói e emociona. Porque, entre Olga Pinto Barbosa e o leitor não existe nenhum artifício que os separe.
A narradora é filha natural: de pai que nunca a reconhece e de mãe que sofre a pobreza. Memórias abrangem os anos 40/50, os da miséria de um país subdesenvolvido e governado por quem o não queria desenvolver. A menina Olga acorda num mundo em que os pobres e os remediados têm de suportar a prepotência dos ricos e o desgosto de condenados à incultura e à subserviência. E em poucos livros se encontra tão dramaticamente evocado esse período brutal e castrador. As dores da rapariguinha, lembradas e narradas com extraordinária dignidade; as aventuras da adolescente batida pelos dias sem nunca deixar de amar a vida e respeitar os outros –são um testemunho precioso e terrível grito de alma. E, também, a música delicada de quem soube preservar a pureza.
É um crime não o ler e um crime maior ainda não o divulgar.
Há muito que um livro me não surpreendia e impressionava tanto. Memórias de Infância de Uma Duriense, de Olga Pinto Barbosa, edição de autor, escassos 300 exemplares, não é, apenas, a narrativa dos anos iniciais, aprendizagem da poesia e do sofrimento. Ramón J. Sender diz que a boa novela não é do intelecto mas sim do entendimento –da interiorização e da compreensão. A autora desta história vivida assim fez: recuperou, no imo, o universo da infância e da adolescência e as pessoas que amou e as que a fizeram sofrer. Tudo entendeu. E, muitas das passagens do seu livrinho atingem a poesia mais límpida, entregam-nos, inalterado, o mundo maravilhoso e cruel do tempo que foi. O estilo essencial e o realismo da frase (do real nasce a poesia) lembram, aqui e ali, Bernardim e o melhor de Irene Lisboa. Por isso, dói e emociona. Porque, entre Olga Pinto Barbosa e o leitor não existe nenhum artifício que os separe.
A narradora é filha natural: de pai que nunca a reconhece e de mãe que sofre a pobreza. Memórias abrangem os anos 40/50, os da miséria de um país subdesenvolvido e governado por quem o não queria desenvolver. A menina Olga acorda num mundo em que os pobres e os remediados têm de suportar a prepotência dos ricos e o desgosto de condenados à incultura e à subserviência. E em poucos livros se encontra tão dramaticamente evocado esse período brutal e castrador. As dores da rapariguinha, lembradas e narradas com extraordinária dignidade; as aventuras da adolescente batida pelos dias sem nunca deixar de amar a vida e respeitar os outros –são um testemunho precioso e terrível grito de alma. E, também, a música delicada de quem soube preservar a pureza.
É um crime não o ler e um crime maior ainda não o divulgar.
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