...o teu banco não precisa de pistola... vai roubar-te sem tu dares por isso e de luva branca... que será a luva do intermediário: a mão inocente do dono da loja onde costumas comprar tremoços...Ganância criativa
por Manuel A. Pina
por Manuel A. Pina
Há no processo de formação de preços em economia de mercado um conceito admiravelmente engenhoso, o de "renda do consumidor".
A ideia é simples: quando se fixa o preço de um produto ou serviço, há gente a "ganhar" a diferença entre o que paga e o que estaria disposta a pagar. Para sacar essa "renda", as empresas procuram "compartimentar o mercado" e cobrar a cada um, pelo mesmo produto, o máximo que está disposto a pagar. Há muito que os bancos andam com a ideia fixa de cobrar a "renda" de comodidade e segurança que resulta do uso de cartões de crédito e débito (com que os bancos poupam milhões em custos de pessoal). Falhada a tentativa de se cobrarem pela utilização das caixas Multibanco, conseguem agora, com a possibilidade de os comerciantes passarem a "taxar" os pagamentos feitos com cartões, meter pela janela o que não entrara pela porta. Mas a mão que nos irá ao bolso não é a dos comerciantes, é a dos bancos. Através dos comerciantes, os bancos irão cobrar-nos, além das anuidades dos cartões, cada pagamento que fizermos com eles. Com uma vantagem: o odioso cairá sobre os comerciantes.
transcrito, com a devida vénia, de jornal de Notícias, 28/10/09
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