
...não matem a menina abelha!...
Bem... já não sei -se calhar ninguém sabe- quando é que isso foi...
Se olhar em volta, devo considerar Portugal o país do betão.
É um lugar-comum?
Pois é, e, na sua triste verdade, diz muito pouco.
Portugal é o país da desertificação. Do desempregão. Da emigração. E outras coisas em ão, por exemplo, a falta de pão...
Para a boca.
Durante a minha ginástica cerebral matinal de quem aprecia a língua portuguesa e os grandes escritores, encontrei, em Mestre Aquilino, o elogio do mel.
E cito:
“Portugal que devia ter sido outrora um país extraordinariamente melífero, deixou morrer as colmeias. Por isso –julgo eu- se azedou e entenebreceu. O português é áspero e taciturno. Pois não será porque lhe faltou o mel?”
E, depois de acenar à nossa ‘apagada e vil tristeza’, recomenda o mel, descrevendo-lhe as vantagens nutritivas:
“um quilo de mel vale mais que dois quilos e meio de salmão ou quilo e meio de presunto de Lamego, do verdadeiro, [que] uma arroba de cenouras, legume privilegiado.”
Aquilino escrevia Arcas Encoiradas, em 1953. E animava os do monco caído:
“Cientes ou não do problema, lavra grande renascimento por toda a parte e tudo aprende a tratar as abelhas e cuida de pôr cortiços no seu quintal.”
56 anos depois, o que ficou desse entusiasmo tão saudável?
Um novo renascimento, o regresso à terra, o virar de costas às megacidades, ao neoliberalismo selvagem, ao consumo inconsequente (cuja única consequência é levarem-nos o dinheiro e tisicarem o país) –a rebusca do Portugal feliz e próspero?
Quem sabe? As gerações mudam, os vigaristas, às vezes, vão parar à cadeia –e o futuro não pertence só a Deus, nem Ele o quereria: se Deus nos atirou para aqui e nos deu a Terra úbere, esperava de nós que não a destruíssemos...
Quanto ao mel, há para aí, para os lados de Évora um tal João Diogo Casaca, um idealista e um apaixonado, que se meteu na aventura do mel... Já experimentei e deliciei-me. Que se multipliquem os aventureiros, porque, hoje, ir ao invés da pouca vergonha reinante é uma grande aventura!
Se olhar em volta, devo considerar Portugal o país do betão.
É um lugar-comum?
Pois é, e, na sua triste verdade, diz muito pouco.
Portugal é o país da desertificação. Do desempregão. Da emigração. E outras coisas em ão, por exemplo, a falta de pão...
Para a boca.
Durante a minha ginástica cerebral matinal de quem aprecia a língua portuguesa e os grandes escritores, encontrei, em Mestre Aquilino, o elogio do mel.
E cito:
“Portugal que devia ter sido outrora um país extraordinariamente melífero, deixou morrer as colmeias. Por isso –julgo eu- se azedou e entenebreceu. O português é áspero e taciturno. Pois não será porque lhe faltou o mel?”
E, depois de acenar à nossa ‘apagada e vil tristeza’, recomenda o mel, descrevendo-lhe as vantagens nutritivas:
“um quilo de mel vale mais que dois quilos e meio de salmão ou quilo e meio de presunto de Lamego, do verdadeiro, [que] uma arroba de cenouras, legume privilegiado.”
Aquilino escrevia Arcas Encoiradas, em 1953. E animava os do monco caído:
“Cientes ou não do problema, lavra grande renascimento por toda a parte e tudo aprende a tratar as abelhas e cuida de pôr cortiços no seu quintal.”
56 anos depois, o que ficou desse entusiasmo tão saudável?
Um novo renascimento, o regresso à terra, o virar de costas às megacidades, ao neoliberalismo selvagem, ao consumo inconsequente (cuja única consequência é levarem-nos o dinheiro e tisicarem o país) –a rebusca do Portugal feliz e próspero?
Quem sabe? As gerações mudam, os vigaristas, às vezes, vão parar à cadeia –e o futuro não pertence só a Deus, nem Ele o quereria: se Deus nos atirou para aqui e nos deu a Terra úbere, esperava de nós que não a destruíssemos...
Quanto ao mel, há para aí, para os lados de Évora um tal João Diogo Casaca, um idealista e um apaixonado, que se meteu na aventura do mel... Já experimentei e deliciei-me. Que se multipliquem os aventureiros, porque, hoje, ir ao invés da pouca vergonha reinante é uma grande aventura!
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