sábado, 31 de outubro de 2009

O dia de hoje: quando Portugal era a terra de leite, vinho e mel...




...não matem a menina abelha!...




Bem... já não sei -se calhar ninguém sabe- quando é que isso foi...

Se olhar em volta, devo considerar Portugal o país do betão.

É um lugar-comum?

Pois é, e, na sua triste verdade, diz muito pouco.

Portugal é o país da desertificação. Do desempregão. Da emigração. E outras coisas em ão, por exemplo, a falta de pão...

Para a boca.

Durante a minha ginástica cerebral matinal de quem aprecia a língua portuguesa e os grandes escritores, encontrei, em Mestre Aquilino, o elogio do mel.

E cito:

“Portugal que devia ter sido outrora um país extraordinariamente melífero, deixou morrer as colmeias. Por isso –julgo eu- se azedou e entenebreceu. O português é áspero e taciturno. Pois não será porque lhe faltou o mel?”

E, depois de acenar à nossa ‘apagada e vil tristeza’, recomenda o mel, descrevendo-lhe as vantagens nutritivas:

“um quilo de mel vale mais que dois quilos e meio de salmão ou quilo e meio de presunto de Lamego, do verdadeiro, [que] uma arroba de cenouras, legume privilegiado.”

Aquilino escrevia Arcas Encoiradas, em 1953. E animava os do monco caído:

“Cientes ou não do problema, lavra grande renascimento por toda a parte e tudo aprende a tratar as abelhas e cuida de pôr cortiços no seu quintal.”

56 anos depois, o que ficou desse entusiasmo tão saudável?

Um novo renascimento, o regresso à terra, o virar de costas às megacidades, ao neoliberalismo selvagem, ao consumo inconsequente (cuja única consequência é levarem-nos o dinheiro e tisicarem o país) –a rebusca do Portugal feliz e próspero?

Quem sabe? As gerações mudam, os vigaristas, às vezes, vão parar à cadeia –e o futuro não pertence só a Deus, nem Ele o quereria: se Deus nos atirou para aqui e nos deu a Terra úbere, esperava de nós que não a destruíssemos...

Quanto ao mel, há para aí, para os lados de Évora um tal João Diogo Casaca, um idealista e um apaixonado, que se meteu na aventura do mel... Já experimentei e deliciei-me. Que se multipliquem os aventureiros, porque, hoje, ir ao invés da pouca vergonha reinante é uma grande aventura!

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