segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O dia de hoje: a verdade é como o azeite, acaba sempre por vir ao de cima... a verdade é o sal da Terra...

...esta é a Boca da Verdade, em Roma... mentiroso que lá meta a mão fica sem ela...


Manuel A. Pina, no artigo que transcrevi hoje, denuncia a mentira.

Muitas vezes, de tanto a terem dito, esquecemos que a mentira é uma mentira e ela passa a ‘verdade’, perigosíssima mentira-verdade e, assim, se utiliza, assim engana e faz sangue...

O engano –chamemos-lhe engano, lapso, concedamos-lhe o benefício da dúvida- da jovem deputada do PCP, Rita Rato, incomoda.

Incomoda, sobretudo, porque, pelo menos duas gerações a separam do estalinismo –e ela cai, tropeça na esparrela, nos dogmas desse tempo.

Como se PCP e comunismo tomassem por sua a frase de Cristo, Noli me tangere, citada no Evangelho de João, XX, 17.

Intocáveis, portanto. Inimputáveis. Acima de toda e qualquer suspeita.

Que disparate!

E que tristeza!

Todos nós sabemos que existiram os gulagues, que Estaline mandou matar ou consentiu na morte de cerca de vinte milhões de pessoas.

E não será continuando a pregar que tudo isso é mentira, que nunca aconteceu,

não será, por esse caminho, que PCP e seus militantes contribuirão para o crescimento, reforço e afirmação da esquerda.

É triste ver uma jovem militante, uma nova deputada do PCP -responsabilidade acrescentada- optar pela cegueira.

No Livro da Sabedoria, deuterocanónico atribuído a Salomão e escrito, provavelmente, na Alexandria do Século I a. C., diz-se:

‘boca que mente mata a alma’.

E, se não bastassem já à Rússia as Almas Mortas, de Gogol, Estaline acrescentou-lhe as que lançou na vala comum e na Sibéria.

O trabalho da juventude, das novas gerações que despontam, é evitar o genocídio: a matança de almas, que por aí vai, pela mão do neocapitalismo e dos fundamentalismos de outras espécies (porque neocapitalistas e neoliberalistas são também fundamentalistas: fundamentalmente, querem chupar a alma de cada um e substituir-lhe as pilhas das novas máquinas, ex-homens, dos novos escravos...).

Acredito que Rita Rato não mentiu, voluntariamente; repetiu, tinha-a no ouvido, uma das tais mentiras-verdades que apontei acima.

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