quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Ainda, ainda... Herta Müller e o nome que ninguém por cá conhece...

...Bucareste, bela cidade... estava lá oito dias antes do 25 de Novembro de 1975... suspeito... prometo esclarecer amanhã...

...a nobelizada noutra versão...


O pessoal já começa a dizer que ninguém conhece Herta Müller e que é só comunismo e coisas assim...

Eu também não conheço Herta Müller.

Ela comeu criancinhas?

Acho que não. Ela lembra -é o que li- o mal viver que foi o tempo de Ceaucescu, ditador comunista, na Roménia. E, se fez isso, não pode ser comunista-estalinista.

Porque há comunistas-estalinistas e comunistas.

‘Já te lixaste’, diz-me o outro. E depois?

Não sou nenhum gato a esconder o rabo e de olho no poder ou no bom nome... acredito que se possa ser comunista e honesto.

E, depois, qual nome bom? O desses vigaristas que tanto são comunistas como do PS, ou do PS como do PSD, ou do PSD como só cavaquistas (enquanto o de Boliqueime sobreviver à própria mediocridade babada), ou como os do...

...omito o CDS porque, vejam lá, ainda me lixo mais, o CDS é alguma coisa: Deus, Pátria e Família e uma ida a Fátima todos os anos e eu não concordo, prefiro ir a Veneza e beber um copo, no Harry’s Bar, com o pintor mais pobre de Veneza, o Aldo Zari, mas compreendo e espero que haja por lá, no CDS, alguém que acredite, pode ser em Deus, porque já ninguém acredita em nada, sobretudo na Bolsa de Wall Street, sobretudo nos Bancos, sobretudo nos construtores civis, eu, por exemplo, já nem acredito no sr. Silva, que me vem arranjar as persianas e elas estão sempre empenadas, e felizmente apareceu o Obama...

Ninguém a conhece? Ainda bem.

Ainda bem, porquê?

Porque o que se conhece não vale um figo, dizem os italianos; não vale um corno, dizemos nós, portugueses.

Ele é o capilé: o ilegível Saramago; o neoflibata arrumadinho, o Antunes, todo Dona Ester e seus hóspedes e a jovem da mini-saia à espera e a agradecer que lhe paguem o café e que o chefe apalpa, a menopausa da mulher e a nega em cima da amiga da mulher, o Antunes doentinho e da Avenida de Roma, Lisboa; ele é a locução dos locutores televisivos e os capitães e os mistérios da rainha apaixonada pelo trovador magrinho que afinal gostava era de ir para a cama com a duquesa; ele é a grande fornicação, na cozinha, o filho obrigado, pelo pai, a violar a criada (nunca acreditei que, primeiro, não tenha por lá andado o primo Arnaldo, tripeiro de eleição, já prático em amores ancilares), tudo na presença do pai, para ser mais erótico, mais excitante, mais significativo; os pensos menstruais guardados por tias em veia literata e tias confessionais!; os rapazotes crescidos das ex-colónias e a explorá-las no computador e, depois, no editor, muito exóticos, muito sensuais, muito fotografáveis, muito vacas, a abandalharem a língua portuguesa (e nas tintas para a da terra deles, se o Craveirinha fosse vivo!, que paulada! pau neles, pau neles!, gritava a Marcelina, a minha cozinheira de S.Tomé, mulher sincera e exigente: com certas coisas não se brinca, dizia), as revelações chulantes dos que já perceberam que somos masoquistas e enquanto não dermos cabo da nossa língua, do que temos, não descansamos...; os pais deles todos, os críticos subornáveis e subornados, que nos garantem, em pasquins que, por sua vez, já abriram, os jornais, já abriram totalmente, totalmente, amigo!, as pernas aos anunciantes, os críticos a dizerem que génios são mais que às mães, pois pater semper incertus e a mãezinha é um sossego... a mãezinha é o anunciante, a mãezinha é o autor, o artista, o almocinho, o geito, quando for preciso...
Ele, aqui, partout, everywhere, em toda a parte (Reinaldo Ferreira!) é uma chatice, um ferro, um nada -este deserto!

(deserto=eufemismo... começava por m e era feminino...)

Ainda bem que eu não sei quem é a Herta Müller! Talvez ela tenha tido alguma coisa a dizer.

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