terça-feira, 6 de outubro de 2009

Na verdade, há causas e causas...

Erlich, in El Pais, 06/10/09



É um dever e um direito informar.

Sobre a crise, por exemplo. A crise que ora já acabou ora ainda não acabou. Ora melhorou ora piorou.

Mas o que volta e, agora, insiste em voltar, é escrever-se e dizer-se que estamos de rastos. Todos, em toda a parte, e sobretudo, aqui.

Onde querem chegar os profetas da desgraça, que parece que atingem o orgasmo, quando a anunciam?

É por falta de tremores de terra, de violações, de assaltos, de assassinatos? Por falta de notícias saborosas, quando, afinal, elas continuam a abundar?

Mas a crise...,


quando tanto nos dizem que estamos à rasca, qual a causa que defendem os seus arautos?

Enterrarem o governo? Desacreditarem os políticos? Enterrarem quaisquer veleidades de um Estado Social?

Por que não apontam os motivos que levaram à crise –nos USA, na Europa, aqui, na terrinha, no Mundo?

Por que não explicam que, na origem, está o neoliberalismo selvagem, a desregulação financeira, os neocon (os neoconservadores), a especulção sem rédeas?

Ou será que, postos de parte políticos e partidos e, especialmente, a utopia do Estado Social –triunfaria a causa do neoliberalismo, restaurado graças à miséria e ao desemprego estabilizados?

Triunfaria um novo neoliberalismo, com menos trabalhadores e... mais lucros...


para os patrões...

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