...retrato de José Régio, por Ventura Porfírio...Quero lembrar uma das obras-primas da Literatura Portuguesa: Biografia, um livro cuja primeira edição apareceu há 80 anos, nas edições presença, com ilustrações de Júlio. Essas edições presença, reflexo da revista com o mesmo nome, eram “únicas”: artesanais, especialmente cuidadas e, por isso, transpirando e comunicando humanidade. A humanidade que se quer numa obra de arte. Mas ao que venho é ao seguinte: assinalar uma data importante da nossa Literatura. No seu novo romance, Exit Ghost, Philip Roth teme pelo futuro da Literatura, à qual se substitui, na sociedade do “produto”, o jogo e o descartável. Não dizia uma figura proeminente do nosso escalavrado mundo político que “produzira afirmações”? Adiante. Roth denuncia a pseudo-crítica assoldada, a descobrir génios e a enterrar os que valem, e cita uma exposição, na Biblioteca de Nova-Iorque, que ignorou Hemingway e Faulkner. Quem fez a escolha? Os livreiros, os homens do “mercado”...
O silêncio que envolve e afasta do público a obra ímpar de Régio -a obra poética, novelística, dramática, ensaística- é criminoso. Eu sei que se deve perdoar a idiotice, aos idiotas. Mas, desde que não moleste. E o facto é que os oportunistas escreventes e os espertalhões editoriais, com a sua atitude lesam a Cultura portuguesa. E a onda chega longe: basta espreitar os programas de leitura do ensino secundário. Ora aí está uma sugestão: organizarem os professores uma espécie de seminário, a partir de Biografia, sobre Régio. E não temam perder o comboio da “actualidade”. Quem hoje a decreta já morreu à nascença.
O silêncio que envolve e afasta do público a obra ímpar de Régio -a obra poética, novelística, dramática, ensaística- é criminoso. Eu sei que se deve perdoar a idiotice, aos idiotas. Mas, desde que não moleste. E o facto é que os oportunistas escreventes e os espertalhões editoriais, com a sua atitude lesam a Cultura portuguesa. E a onda chega longe: basta espreitar os programas de leitura do ensino secundário. Ora aí está uma sugestão: organizarem os professores uma espécie de seminário, a partir de Biografia, sobre Régio. E não temam perder o comboio da “actualidade”. Quem hoje a decreta já morreu à nascença.
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