sábado, 19 de março de 2011

Um grito a meio de um mundo sem sentido

Lars Norén, dramaturgo norueguês, denunciador do quotidiano absurdo


“Este não é o meu mundo
não consigo viver neste mundo
Como ele é

(...)

A vida que se vive cada dia
é sem dúvida a mais desgraçada que o mundo
possa propor-nos

silêncio

E.
F.
T.
R.
M.
Escola
Formação
Trabalho
Reforma
Morte

(....)

Somos obrigados
a transformar-nos naquilo que não somos
somos obrigados a aceitar um trabalho de merda
porque é o que há
obrigados a aprender a matar pessoas
obrigados a respeitar os limites de velocidade
obrigados a fazer uma coisa
e de fazer dela outra coisa
desde a nascença
até ficarmos seis metros debaixo da terra
Não há
pois
liberdade
em nenhum lugar

(...)

Não há Deus
não existe
o raio de um Deus
há apenas os euros

do monólogo teatral 20 de Novembro

4 comentários:

  1. Ah... nem sei que dizer. Não parece o Manuel Poppe, embora o que diga seja uma verdade nua e crua de como muitos habitam a terra.

    Quero fugir da
    E.
    F.
    T.
    R.
    M.
    Da última não posso, ela é inevitável!
    Bom Sábado!

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  2. Reparei que o grito não é seu Manuel Poppe, mas só agora vi.
    Bom Sábado!

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  3. Eu percebi e tenho, com certeza, uma visão da vida muito diferente da do herói de Lars Norén.

    Mas a peça/monólogo diz coisas terrivelmente verdadeiras.

    Se qer que lhe diga o que me pareceu terrível, dir-lhe-ei que termos morto Deus libertou todo o absurdo que Sebastian Bosse -o personagem de Norén- denuncia.

    Sebastian Bosse era um rapaz de 18 anos que assassinou, em 2006,no Liceu da cidadezinha de Emstetten, Vestefália, 30 pessoas e se suicidou.

    Sebastian deixou as suas razões gravadas em video (que Lars Norén viu e seguiu na guião da peça).

    Norén conseguiu fazer-me sentir qur TODOS NÓS somos responsáveis por aquele crime também absurdo, também inútil como a vida que esta soiciedade impõe a 99% dos homens e das mulheres.

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  4. É impossível encontrar Deus ou qualquer outra coisa que seja, sem que lhe seja antes permito se ver realmente. Imagino a angústia e a revolta de ambos. Do executor e do executado. Do escritor, percebo a rara noção dos fatos como o são. e desse que agora transcreve, que seus olhos mudaram de cor, pois quando choramos mais de indignação, ganhamos a chance única de limpar cada vez mais as lentes que nos colocam e por vezes nós mesmos colocamos. Que cor tem seus olhos? seus olhos são da cor do infinito.

    5bjs

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