
Poveirinhos! meus velhos Pescadores!
Na água quisera com vocês morar:
Trazer o grande gorro de três cores,
Mestre de lancha Deixem-nos passar!
Far-me-ia outro, que os vossos interiores,
De há tantos tempos, devem já estar
Calafetados pelo breu das Dores,
Como esses pongos em que andais no Mar!
Ó meu Pai, não ser eu dos poveirinhos!
Não seres tu, para eu o ser, poveiro!
Mail-Irmão do “Senhor de Matozinhos”!
No alto mar, às trovoadas, entre gritos,
Prometermos, si o barco fôri intieiro,
Nossa bela à Senhora dos Aflictos!’
Na água quisera com vocês morar:
Trazer o grande gorro de três cores,
Mestre de lancha Deixem-nos passar!
Far-me-ia outro, que os vossos interiores,
De há tantos tempos, devem já estar
Calafetados pelo breu das Dores,
Como esses pongos em que andais no Mar!
Ó meu Pai, não ser eu dos poveirinhos!
Não seres tu, para eu o ser, poveiro!
Mail-Irmão do “Senhor de Matozinhos”!
No alto mar, às trovoadas, entre gritos,
Prometermos, si o barco fôri intieiro,
Nossa bela à Senhora dos Aflictos!’
in Só, de António Nobre
Neste Dia Mundial da Poesia, também consagrado à Árvore, não resisti à tentação de transcrever um belíssimo excerto de prosa poética de Eugénio de Andrade, com a mesma esperança que o poeta pressagia; que a terra fique mais habitável.
ResponderEliminar"Um poema ou uma árvore podem ainda salvar o mundo."
"...Eis o que tenho a pedir-vos nos meus oitenta anos: plantem nesse lugar um plátano, onde o vento enroladinho no sono possa dormir sem sobressaltos; ou uma oliveira, ou um chorão, e à sua roda ponham uma sebe da flor doce e musical de espinheiro branco. Embora tenha pouca ou nenhuma fé seja no que for, a terra ficará mais habitável. Um poema ou uma árvore podem ainda salvar o mundo."
Eugénio de Andrade
Palavras em Serrúbia (17.01.2003)
Hoje é o dia mundial da poesia, antes da meia-noite farei a minha escolha. Espantou-me a sua. Estava à espera de Régio. Apesar de ter este livro e de ler alguns dos seus poemas, confesso que não consigo ler o livro de fio a pavio.
ResponderEliminarO ursinho branco fez-me tanta impressão. É o egoísmo dos homens a funcionar. A verdade é que muitos meninos se não vissem estes animais nos Jardins Zoológicos nunca os veriam, mas podiam ter sido mais afectuosos com o bicho e arranjar-lhe uma companhia...
Amigo, Um belíssimo texto de Eugénio de Andrade, que veio enriquecer este blog.
ResponderEliminarBem haja!
Ana, Haverá,sempre, coisas que a surpreenderão...
ResponderEliminarEu não dou enhuma importância a a estar updated, nada existe sobre nada, há alicerces, há criadores, há pessoas que nos ajudam a encontrar-nos.
E, por isso, frequento os clássicos, salto muitos "modernos", quando pressinto que nascem mortos e são do modo que são para dar nas vistas, distinguirem-se, não lhes vem de dentro.
António Nobre é um dos raros poetas que assumem a alma portuguesa.
É um dos grandes inovadores: Sá-Carneiro deve-lhe muitíssimo, por exemplo...
É um dos nossos grandes líricos.
Quanto aos zoos... talvez não devessem existir e talvez bastasse que respeitássemos a terra...
O apoclipse virá por aí.