O político e a sua intervenção na Res Publica...O que se passa cá dentro, passa-se, afinal, lá fora:
o descrédito dos políticos.
Apesar de mal informados, dependentes de uma comunicação social medíocre; apesar de tender a sempre julgar que Portugal é uma tragédia única, isolado da Europa; apesar das viagens aéreas a low coast o não “desisolarem”,
o português já pressentira que esse divórcio políticos/ cidadãos é mundial.
O Guardian cingiu-se à Europa e o quadro abaixo esclarece-nos sobre o movimento de rejeição dos políticos pelos cidadãos/ eleitores.
É que, realmente, os políticos passaram a ser uma casta à parte, uma corporação, uma nova "raça".
Vivem e actuam em circuito fechado.
Entre eles e quem os elegeu -e, agora, penso no nosso país- não há, praticamente, nenhum contacto.
Na Assembleia da República há deputados que representam cidades onde nunca puseram os pés –ou foram lá uma vez ou duas, “para inglês ver”.
Depois, os políticos “maquiavelizam-se” (bem saloiamente, em muitos casos!), não para resolver os problemas do país real mas, sim, para conquistar lugares e assegurá-los.
É um jogo de damas (nem chega ao xadrez...) em que se dão cambalhotas, se voa no trapézio, se mata e esfola, canelada aqui, cuspidela ali –para garantir a supremacia dos partidos que os nomearam e a para garantir a continuidade dos lugares que têm.
Assim, os próprios partidos se desacreditaram: o cidadão comum topa que não é o progresso do país que os preocupa mas, sim, a conquista do poder, com a ideologia na gaveta, ou sem ideologia real nenhuma.
E tudo isso é muito mau para a democracia.
Honra às excepções, que, felizmente, as há!
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