
"O Presidente da República instou hoje os jovens a empenharem-se em “missões e causas essenciais ao futuro do país” com a mesma coragem e determinação com que fizeram os militares que participaram há 50 anos na guerra em África."
in Público de hoje
Cavaco, mais uma vez, se enganou e confundiu duas épocas da nossa História.
Eis de volta o discursador de despautérios.
Lembrou-se, deu-lhe na “verve” apontar, aos jovens, como exemplo, a guerra colonial e os soldados que foram obrigados a fazê-la, a morrer lá ou a regressarem estropiados, marcados psicológica e psiquicamente, para o resto da vida,
após terem combatido uma batalha perdida à partida,
e por ordem de um dinossauro que deixou este país paupérrimo e atrasado cinquenta anos, depois de o oprimir e torturar, durante outros cinquenta anos.
Foram bravos, corajosos, destemidos, inutilmente: carne para canhão, vítimas do engano.
Se Cavaco olhasse para o Portugal de hoje, livre, democrático, aberto a todos os portugueses,
teria lembrado aos jovens que os mesmos soldados, mas fartos da escravidão e da ditadura, tiveram força para mudar de rumo a própria coragem e a usarem para fazerem, não uma guerra inútil e contraproducente, mas, sim o 25 de Abril,
e elevar Portugal ao plano das nações europeias.
Arrancar Portugal ao subúrbio europeu que era: o “jardim á beira mar plantado”, afinal a quintarola onde um ex-seminarista do tempo da Maria Cachucha, um castrador de almas, plantara a PIDE, o Tarrafal, Caxias, a censura, a perseguição ideológica, a proibição de cada um ser pessoa livre e senhor de si próprio.
Esse é o exemplo digno.
E um jovem que se respeite e respeite os outros, um jovem que se queira livre de escolher e conquistar o seu lugar, numa sociedade fraterna, igualitária e livre –esse jovem sabe que esse é o exemplo a ter presente.
Não sou jovem, pelo menos no BI. Se fosse, ficaria revoltado com estas palavras do nosso rei sem trono. No entanto, não fico revoltado mas apenas sorrio. Porquê? Porque já sei, há muito tempo, que é esta a marca do cavaleiro da triste figura, sem ofensa para o grande D. Quixote que nunca fez jus a tal epíteto.
ResponderEliminarAcho que tem razão: ele não percebe.
ResponderEliminarNão percebe que não estamos em 1926,
não percebe que o povo e a juventude já existem depois do 25 de Abril,
não percebe o que foi o 25 de Abril,
não percebe o que é a democracia.
Não percebe.
Em suma: é um antropopiteco.
Como é que um homem que «não lê jornais»,
ResponderEliminarque «nunca tem dúvidas»,
...e «raramente se engana»,
pode dizer tais blasfémias?...
Nasceu assim e não tem cura...
ResponderEliminar