sábado, 12 de março de 2011

As utopias anunciam a realidade possível... doa a quem doer!




Em 1516, Thomas More publicou aquela que ficaria como uma das obras fundamentais do pensamento renascentista: a novela/ensaio De óptimo reipublica statu deque nova insula UTOPIA.

Do óptimo estado da república e da nova Ilha UTOPIA.

Porquê UTOPIA?

More cria uma nova palavra, a partir do grego: ou, prefixo que significa privado de uma coisa, e topos, lugar.

Assim, um “não lugar”, algo em “nenhuma parte”.

No entanto, adiante, More refere a cidade de Amaurote, “onde todos eram os mais generosos e justos e os mais dignos”.

Onde todos sabiam viver bem, uns com os outros.

E, quando aponta Amaurote, More torna possível a realização do sonho de encontrar e viver na ilha da Utopia.

No fim e ao cabo, é um problema ético: conquistar, dentro de nós, o amor ao outro e a generosidade e, ao praticá-los, estabelecer a Justiça.

Obviamente, a Justiça Social.

Quando Sebastião da Gama escreveu “Pelo sonho é que vamos”, ele sabia que sonhar é não sufocar o imperativo ético, degradando a esperança.

Quando António Gedeão, no belíssimo poema, felizmente lido e cantado, Pedra Filosofal (ele que era um homem de formação matemática... mas... que distância irá das matemáticas puras à poesia?), denuncia:


Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer


Gedeão diz que o sonho é mais do que sonho: é um sinal que aponta o caminho certo.

O caminho justo.

Tal qual a utopia. Tal qual todos ideais.

A utopia preanuncia a realidade futura.

A História tem-no provado, abundantemente.

Sempre apareceram e, naturalmente aparecem, os que reagem: os reaccionários: os que defendem, com unhas e dentes, os próprios privilégios e aos quais as utopias não agradam e escarnecem: "utopias... balelas!"

Resta-nos desmenti-los ou corrê-los, com um comedido, mas convicto, pontapé no rabo, se necessário.

E não baixar os braços.

Nunca.

3 comentários:

  1. Belo texto composto de sonhos e inconformismo!
    Pelo que tenho sabido do Japão a Utopia começou a funcionar.

    Tenho que lhe fazer uma pergunta que me inquieta:
    -Veneza é deprimente, apesar de bela?
    Abraço.

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  2. Porque se deixarmos de acreditar, nada mais valerá a pena.

    Isabel

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  3. Adorei o ponta pé no rabo ...

    Nunca desistir,
    Sempre sonhar ... somos feitos do tecido dos nossos sonhos.

    Opré Rhomá,

    5 bj

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