segunda-feira, 21 de março de 2011

Dia Mundial da Poesia



Poveirinhos! meus velhos Pescadores!
Na água quisera com vocês morar:
Trazer o grande gorro de três cores,
Mestre de lancha Deixem-nos passar!

Far-me-ia outro, que os vossos interiores,
De há tantos tempos, devem já estar
Calafetados pelo breu das Dores,
Como esses pongos em que andais no Mar!

Ó meu Pai, não ser eu dos poveirinhos!
Não seres tu, para eu o ser, poveiro!
Mail-Irmão do “Senhor de Matozinhos”!

No alto mar, às trovoadas, entre gritos,
Prometermos, si o barco fôri intieiro,
Nossa bela à Senhora dos Aflictos!’

in , de António Nobre

4 comentários:

  1. Neste Dia Mundial da Poesia, também consagrado à Árvore, não resisti à tentação de transcrever um belíssimo excerto de prosa poética de Eugénio de Andrade, com a mesma esperança que o poeta pressagia; que a terra fique mais habitável.

    "Um poema ou uma árvore podem ainda salvar o mundo."
    "...Eis o que tenho a pedir-vos nos meus oitenta anos: plantem nesse lugar um plátano, onde o vento enroladinho no sono possa dormir sem sobressaltos; ou uma oliveira, ou um chorão, e à sua roda ponham uma sebe da flor doce e musical de espinheiro branco. Embora tenha pouca ou nenhuma fé seja no que for, a terra ficará mais habitável. Um poema ou uma árvore podem ainda salvar o mundo."
    Eugénio de Andrade
    Palavras em Serrúbia (17.01.2003)

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  2. Hoje é o dia mundial da poesia, antes da meia-noite farei a minha escolha. Espantou-me a sua. Estava à espera de Régio. Apesar de ter este livro e de ler alguns dos seus poemas, confesso que não consigo ler o livro de fio a pavio.

    O ursinho branco fez-me tanta impressão. É o egoísmo dos homens a funcionar. A verdade é que muitos meninos se não vissem estes animais nos Jardins Zoológicos nunca os veriam, mas podiam ter sido mais afectuosos com o bicho e arranjar-lhe uma companhia...

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  3. Amigo, Um belíssimo texto de Eugénio de Andrade, que veio enriquecer este blog.

    Bem haja!

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  4. Ana, Haverá,sempre, coisas que a surpreenderão...

    Eu não dou enhuma importância a a estar updated, nada existe sobre nada, há alicerces, há criadores, há pessoas que nos ajudam a encontrar-nos.

    E, por isso, frequento os clássicos, salto muitos "modernos", quando pressinto que nascem mortos e são do modo que são para dar nas vistas, distinguirem-se, não lhes vem de dentro.

    António Nobre é um dos raros poetas que assumem a alma portuguesa.

    É um dos grandes inovadores: Sá-Carneiro deve-lhe muitíssimo, por exemplo...

    É um dos nossos grandes líricos.

    Quanto aos zoos... talvez não devessem existir e talvez bastasse que respeitássemos a terra...

    O apoclipse virá por aí.

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