sexta-feira, 11 de março de 2011

Luís da Baviera

Esmalte sobre tela, 2001, de Emanuela Ficotto, Museo Nuovo Rinascimento, Veneza


Oiro, incenso e rosas e oiro
as sombras circulam o crepúsculo desce
Sentado no seu trono especioso o príncipe
medita dilemático sobre o peito em pétalas
e a noite povoada de luas no interior do palácio
assiste reverente e súbdita

o vulto da música é o vulto de Wagner

o poeta furta o fogo antes de Arthur Rimbaud
Litúrgico, Luís da Baviera caminha ao longo do sono

é deus louco ou duende?

todo o invisível está liberto

ecoam sons de alumínio em gargantas de lírio

António Barahona da Fonseca in Poemas e Pedras, 1962

2 comentários:

  1. Poema lindíssimo associado a uma tela igualmente bela.
    Visitei o Museo Nuovo Rinascimento e gostei da viagem virtual.
    Muito obrigada pela mais-valia!

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  2. Ana, fico muito feliz por saber que lhe abri algumas portas de Veneza.

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