O OUTRO LADO
SACRIFÍCIO E ABNEGAÇÃO
1. Convidaram-me para falar de livros, numa escola secundária. De literatura e de teatro, espelhos de vida, que reflectem a luz de mil e uma estradas, interrogam, sugerem caminhos. Durante mais de noventa minutos, tive à minha volta jovens cujo futuro se joga em cada instante. Até naquela simples conversa. Porque nenhuma conversa é pacífica, inconsequente, quando sincera: sempre alguma coisa fica. A turma reunia estudantes de ciências naturais, economia, matemática e uma aluna de artes. Companheiros, afinal, de um mesmo combate: a conquista da personalidade própria, que se esboça, experimenta, tacteia, afirma. Difícil era agarrar duas coisas: a confiança e a atenção. Havia, neles, porém, curiosidade e vontade de encontrar respostas. Não lhas dei eu: discutimo-las juntos, em boa fé. Os professores fazem isso todos os dias, com três blocos de noventa minutos seguidos. Apaixonante mas arrasador.
2. E concluí que o problema da avaliação dos professores esconde (e ao poder serve que esconda) outros não menos graves: carência de pessoal docente, que assoberba de trabalho os que ainda existem (e resistem); acumulação de funções administrativas, que lhes não cabem (matrículas, pautas); impossibilidade cronométrica (falta de tempo) de se actualizarem. Leitor: o professor não é um funcionário público igual aos mais. Para lá do ensino, é psicólogo, assistente social, empregado de secretaria. Como conseguiu a professora que me convidou obter os resultados que obteve: alunos informados, disponíveis, interessados? Certamente, graças ao sacrifício e à abnegação, timbre dos verdadeiros mestres.
SACRIFÍCIO E ABNEGAÇÃO
1. Convidaram-me para falar de livros, numa escola secundária. De literatura e de teatro, espelhos de vida, que reflectem a luz de mil e uma estradas, interrogam, sugerem caminhos. Durante mais de noventa minutos, tive à minha volta jovens cujo futuro se joga em cada instante. Até naquela simples conversa. Porque nenhuma conversa é pacífica, inconsequente, quando sincera: sempre alguma coisa fica. A turma reunia estudantes de ciências naturais, economia, matemática e uma aluna de artes. Companheiros, afinal, de um mesmo combate: a conquista da personalidade própria, que se esboça, experimenta, tacteia, afirma. Difícil era agarrar duas coisas: a confiança e a atenção. Havia, neles, porém, curiosidade e vontade de encontrar respostas. Não lhas dei eu: discutimo-las juntos, em boa fé. Os professores fazem isso todos os dias, com três blocos de noventa minutos seguidos. Apaixonante mas arrasador.
2. E concluí que o problema da avaliação dos professores esconde (e ao poder serve que esconda) outros não menos graves: carência de pessoal docente, que assoberba de trabalho os que ainda existem (e resistem); acumulação de funções administrativas, que lhes não cabem (matrículas, pautas); impossibilidade cronométrica (falta de tempo) de se actualizarem. Leitor: o professor não é um funcionário público igual aos mais. Para lá do ensino, é psicólogo, assistente social, empregado de secretaria. Como conseguiu a professora que me convidou obter os resultados que obteve: alunos informados, disponíveis, interessados? Certamente, graças ao sacrifício e à abnegação, timbre dos verdadeiros mestres.
Ora seja bem-vindo ao ciber-espaço dos blogues.
ResponderEliminarFinalmente vamos poder ler os seus esclarecidos e esclarecedores comentários, sem esperar pelo «Jornal de Notícias», nem sempre pontual.
Vai ver como é agradável e compensadora esta forma de diálogo quase permanente com a multidão dos seus leitores.
Mas é um meio de comunicação muito exigente em função de tempo.
Um abraço
Inácio
Tenho uma irmã professora e também por isso concordei inteiramente com o que escreveu.
ResponderEliminarAinda não tinha lido este post.
ResponderEliminarÉ exactamente assim.Exigir, exigir, exigir.
O que interessa são os números, mesmo que eles sejam descaradamente mentirosos. As pessoas não importam.
De há um tempo para cá,achei que podia começar a fazer batota;os 29 anos de serviço que estou a completar assim mo permitem, bem como a necessidade da minha sanidade mental.Na sala de aula nunca descuro o trabalho.Mas papelada?...
Só faço aquilo que tenho a certeza que me vão cobrar.E faço sempre o mínimo possível.Não me interessa nada brilhar e fazer floreados.Interessam-me os meus alunos e o trabalho com eles, o resto só não me escapo se não puder.
Odeio papéis!
Isabel
E ano e meio depois nada disso mudou. Piorou. É criminoso. É imperdoável.
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