quarta-feira, 25 de março de 2009

O trágico divórcio dos políticos

Maria José Nogueira Pinto é uma mulher admirável (concordemos ou não com as suas ideias, sempre respeitáveis por autênticas), que se entrega inteiramente a quanto faz. Escreve ela, hoje ("Diário de Notícias"): '... as mulheres não estão na política (...) porque não querem. Fazer carreira dentro de um partido político não lhes interessa, sentem que é um desperdício de tempo'. E tem toda a razão: o político deixou de defender ideologias para defender uma carreira; de político passou a 'carreirista' -e o seu esforço esgota-se na luta interna dos partidos. Vira as costas à realidade social, ao povo, aos eleitores. Os inimigos são os outros políticos que ambicionam os mesmos lugares na máquina partidária. Para o político (para o politiqueiro) de hoje, o problema não é resolver a questão social -é conquistar bons lugares dentro dos partidos. Entre o político e o leitor (o cidadão) cavou-se a fossa, um trágico divórcio que leva este último a não confiar no primeiro. Se alguém pensar em intervir, realmente, na pólis, na cidade, o mundo partidário aparece-lhe como uma coisa esquisita, estranha, completamente desligada do quotidiano muito difícil que vivemos.

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