quinta-feira, 26 de março de 2009

Afonso Duarte, poeta esquecido

AMOR







Antes que seu perfil me aparecesse
Eu tinha gasto meu coração a vê-la...
E erguendo aos céus as minhas mãos em prece,
O meu amor foi só reconhecê-la.

Como graça de Deus que me atendesse,
Sou seu amor, posso dizer-me de Ela..
Chamar-lhe minha, assim quem o pudesse,
Na noite da minh’alma única estrela!

P’ra meu amor é que Ela ao mundo veio
E, assim outrem amando-a, era parti-la,
Que alguma coisa de Ela há no meu seio.

Não será minha? Isso que tem para a Arte?
Estatuário que eu sou, hei-de esculpi-la;
Dá-la em beleza é o meu amor em parte.

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