sábado, 14 de março de 2009

O caso do avestruz que fica nu

Todos conhecem a história do avestruz que mete a cabeça na areia para não ver a realidade quando lhe não convém. Ignorar a importância da manifestação de ontem, organizada pela CGTP, rivaliza com a obtusidade mental da ave referida. E, se fosse, apenas, um caso de idiotia, ainda vá que não vá –a ignorância perdoa-se e pode corrigir-se. Mas, se essa indiferença, diante o protesto de duzentas mil pessoas, esconder prepotência, teimosia, sede insaciável de poder –o caso muda de figura. Trata-se do desrespeito por cidadãos que protestam contra o que acham mau governo e representa a recusa de reconhecer a sua (deles, cidadãos) existência cívica. Mostra a nudez dos reis que assobiam para o lado, enquanto a casa arde –isto é: desmascara a hipocrisia criminosa de quantos se marimbam para a crise que nos atenaza e vai aos bolsos e à barriga. Por detrás da manifestação estava um partido? Estavam mais do que um, certamente –o que é natural, porque é natural que os cidadãos optem por este ou por aquele partido. E estavam muitas pessoas -milhares, provavelmente- que não têm partido mas têm medo do desemprego e da fome.

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