Fui ver o filme de Clint Eastwood, Gran Torino. Saí do cinema melhor do que entrara. Alguém me lavara a alma. Agora, eu olhava os outros de outra maneira: com simpatia e compreensão. Alguém me dissera que a amizade, a solidariedade e o sacrifício são a coisa mais importante da vida. Ah, sim, o filme tem "facilidades": é previsível, demasiado transparente, etc. Mas serão facilidades? Ou queria Clint Eastwood que todos entendessem a sua mensagem e se emocionassem com ela? A sentissem dentro? Emocionei-me, lacrimejei -e não me envergonho. Abençoadas lágrimas! Estou farto do deserto e da secura dos dias. Esta sociedade que fizeram e em que consentimos -lucro, coisas, consumo, egoísmo, indiferença, canibalismo- é uma merda. E sufoca-nos. Desumaniza-nos. Transforma-nos em objectos ocos. Basta! Quero uma terra onde bom dia queira, realmente, dizer bom dia (alguém se lembra d'O Millagre de Milão, de Vittorio de Sica?). É tempo de mudar.
terça-feira, 17 de março de 2009
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