Este governo conseguiu, em meno de 4 anos, desacreditar 4 classes sociais (e baralhar as pessoas): na generalidade, a dos funcionários públicos; na especialidade, as dos professores (“inimigo nº 1”, para este governo), dos médicos e dos magistrados. Penso até que apontou a pistola aos reformados, como se esses tivessem a culpa de não morrer e reclamarem as pensões devidas (vem aí, como era de esperar -este governo tem o vício de equilibrar finanças à custa dos desprotegidos e de assobiar para o lado, perante os ricos-, o aumento das contribuições dos reformados/aposentados –reacção viril do governo ao crime de estar vivo). Desviou, assim, as atenções, preocupações e indignações do eleitorado –arregaçou as mangas, na mira de continuar no poder. E o que já era confuso confundiu-se mais. Identificados os “responsáveis” pela crise social, que já existia antes da “Grande Crise”, o cidadão/eleitor ajudou o governo a atirar-se a eles e a esconder -ele, governo- a própria incompetência. Os funcionários passaram a funcionar pior; a escola rebentou pelas costuras e reduziu-se o trabalho a distribuir testes e arranjar estatística simpáticas, para satisfazer o cidadão/eleitor; a medicina tende a desaparecer em parte incerta; a Justiça, um dos poderes fundamentais consagrados na Constituição, foi quase atirada às ortigas, ofendida, humilhada, desautorizada. O português, ao qual todos os dias é dito “desculpa, pá, aperta o cinto, tamos na crise”, reparou que já não pode mais, se enforca pela cintura, não chega para as encomendas, barriga, casa, carro e filhos –e desatou a insultar os tais alvos/responsáveis que o governo indicou. O governo consentiu, quando não aplaudiu (o que aliás, aconteceu, frequentemente). Enquanto essa peixarada ocupa a cena, nos bastidores, o governo faz o que quer, e certos privados continuam a fazer o que querem. Dado como semi-morto o cidadão/eleitor e, sobretudo, supinamente ignorante dos seus direitos (e deveres: porque, quando qualquer coisa vai mal na Pólis, na Cidade, no País, intervir é um dever, uma obrigação de cidadão responsável), o governo e os privados que o governo tolera, acharam-se de mãos livres, sem ter que dar satisfações a ninguém. Veja-se, agora: a REFER e a CP fecharam, sem dizer água vai, passando por cima dos interesses e direitos do cidadão (andaram um mês a preparar, clandestinamente, o golpe), as linhas do Corgo (Régua a Vila Real) e do Tâmega (Livração a Amarante); o esquisito ME, com o impagável trio Lurdes-Lemos-Pedreira, à frente, marimbaram-se para as razões dos professores e decidiram que não serão avaliados nem progredirão na carreira aqueles que não apresentarem escritos (julgo ser irrelevante a qualidade do português, mesmo um português magalhoano serve) os famosos, famigerados, abstrusos “objectivos individuais”. Quer ir de combóio? Nem pense nisso: vai a pé ou de carrinha, se acabar com esses comentários! Quer ter opinião, quer criticar, discutir as decisões do ME, as iluminações mentais do TRIO? Desista, senão vai para a rua ou nunca mais sai de onde está (mal, n.r.).
O apontamento de ontem, a propósito de imperadeiros, saltou, como já me tem acontecido. Culpa da minha inexperiência? Um comissário político disfarçado de tecla? Fico com a dúvida.
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