Não falei deste autor por acaso... Aliás já toda a gente percebeu isso. É que Debaixo do Vulcão é uma das obras-primas do romance contemporâneo. Obviamente, não se trata de um best-seller, nem se vende nas papelarias de aeroporto, nem tem cenas pornográficas, nem trata nenhum tema que ande por aí nas primeiras páginas dos jornais ou das revistas ou faça as delícias dos telejornais caseiros e arrepiantes. Fala de amor e morte. E diz, por exemplo: 'Que há, na vida, para além do ser que adoramos e da vida que podemos construir com ele?'; ou: 'que é um homem senão uma alminha que mantém de pé um cadáver?'; ou: 'o pior de tudo é sentirmos a alma morrer'; ou: 'ele próprio estava no inferno'. E, ao cabo da sua viagem, da viagem do Consul (ele-próprio-o-herói de Debaixo do Vulcão), em que viveu o mal e o bem, o amor e o desencanto, a sede de absoluto e o abismo do álcool, nostalgia do paraíso perdido, através de um México mítico, empolgante, verdadeiro, aberto, generoso, para encontrar a morte, a misteriosa e fascinante e absurda morte, deixa estas palavras lidas algures, naquele deserto cheio de paixão: Le gusta este jardin que es suyo? Evite que sus hijos lo destruyen!
Será fácil encontrar o livro: a editora Relógio d'Água lançou-o há poucos meses)
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