O SINGULAR EÇA DE QUEIRÓS
João Gaspar Simões -citado abundante e justamente por A. Campos Matos, estudioso dedicado do “pobre homem da Póvoa de Varzim”, no seu novo livro, “Eça de Queiroz, Uma Biografia” (Edições Afrontamento)- escreve, acerca de Camilo: “é tão pessoal que se lhe não encontra decidida influência estrangeira”. E afirma-o num precioso ensaio sobre Eça, publicado em “Liberdade de Espírito” (que Campos Matos também refere), em que conclui: “Os Maias” são a obra-prima de Eça de Queirós e, o que é mais, um caso único no romance nacional.” Continua a sê-lo, passados 122 anos. Camilo tocou, sem dúvida, como nenhum outro, a alma portuguesa e fê-lo a partir de um imo vulcânico, incomparável; Eça, dirão, fixou certos caracteres nacionais –à sua maneira, e atento ao que se fazia lá fora. Ele próprio se queixa: “Faço mundos de cartão... não sei fazer carne nem alma.” Não é verdade: “Singularidades de uma rapariga loira” ou “O Crime do Padre Amaro”, exemplos soltos acrescentados a “Os Maias”, agarram personagens extraordinárias. E Régio, citado por Campos Matos, ensina: “Pedir a um verdadeiro artista o que, por sua natureza profunda, não nos pode nem pretende dar, parece-nos um erro crítico tão condenável como recusar-lhe o que nos dá”. A originalidade de cada artista, se expressa na obra, constitui a originalidade da obra. A. Campos Matos, a quem os leitores e os estudiosos de Eça muito devem, acrescentou à vastíssima bibliografia queiroziana um livro interessantíssimo. Gaspar Simões, lá o lembrava: “Uma biografia é uma ideia pessoal sobre o homem que queremos conhecer”, mas Campos Matos, se o confirma, abre portas, provoca, desafia.
João Gaspar Simões -citado abundante e justamente por A. Campos Matos, estudioso dedicado do “pobre homem da Póvoa de Varzim”, no seu novo livro, “Eça de Queiroz, Uma Biografia” (Edições Afrontamento)- escreve, acerca de Camilo: “é tão pessoal que se lhe não encontra decidida influência estrangeira”. E afirma-o num precioso ensaio sobre Eça, publicado em “Liberdade de Espírito” (que Campos Matos também refere), em que conclui: “Os Maias” são a obra-prima de Eça de Queirós e, o que é mais, um caso único no romance nacional.” Continua a sê-lo, passados 122 anos. Camilo tocou, sem dúvida, como nenhum outro, a alma portuguesa e fê-lo a partir de um imo vulcânico, incomparável; Eça, dirão, fixou certos caracteres nacionais –à sua maneira, e atento ao que se fazia lá fora. Ele próprio se queixa: “Faço mundos de cartão... não sei fazer carne nem alma.” Não é verdade: “Singularidades de uma rapariga loira” ou “O Crime do Padre Amaro”, exemplos soltos acrescentados a “Os Maias”, agarram personagens extraordinárias. E Régio, citado por Campos Matos, ensina: “Pedir a um verdadeiro artista o que, por sua natureza profunda, não nos pode nem pretende dar, parece-nos um erro crítico tão condenável como recusar-lhe o que nos dá”. A originalidade de cada artista, se expressa na obra, constitui a originalidade da obra. A. Campos Matos, a quem os leitores e os estudiosos de Eça muito devem, acrescentou à vastíssima bibliografia queiroziana um livro interessantíssimo. Gaspar Simões, lá o lembrava: “Uma biografia é uma ideia pessoal sobre o homem que queremos conhecer”, mas Campos Matos, se o confirma, abre portas, provoca, desafia.
publicado na Página de Cultura do Jornal de Notícias, 28/02/2010
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