segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O Bucho de ossos do Sabugal

Castelo do Sabugal: uma terra nobre




... aqueles que lutam para a salvar...



Aconteceu um milagre! Caiu-me em casa o bucho de ossos do Sabugal! E mais um queijo de cabra!

E, além disso, uma alma honesta: o José Carlos Lages, de honestidade franca da Beira, que seja Raia, ninguém dobra ninguém e todos se apresentam com o que têm para dar: amizade limpa.

O bucho é oferta da Natália Bispo, Casa do Castelo, assim a modo de quem luta contra a destruição da sua terra, já sabemos, o Sabugal.

Terra nobre e de tradições e de um grande escritor, o nosso ( porque já se ouve a sua voz por toda a parte, graças ao Jornal de Notícias e se calhar da Visão (que não leio porque é chata para burro) -o Manuel António Pina!
Terra de homens que não dobram a espinha.

Terra, se Deus tiver pachorra para aceitar, de cristãos e de judeus e, oxalá, de árabes.

A terra da Natália!

Que bom que foi aprender com o José Carlos a cozinhar o bucho!

Faltou o vinho da região. Fica para a próxima vez, ó Natália, cá o espero!

Mas, na despensa -porque nesta porcaria progressista do Estoril proibiram as adegas- havia um tinto bué (pois, bué, porque a maravilha africana -a imigração que nem é imigração porque são os nossos mais próximos, existe e oxalá se multiplique) das caves do Redondo. Vinho de 15 º, com corpo, de tal maneira com corpo que lembrei os olhos tão negros e as ancas tão bem tiradas das alentejanas e a boca vermelha e as mãos de seda...
E lá voltei ao tempo ido... ao Cida, ao Manisco... ao Pad'Zé, que morreu professor, no Sabugal, esquecido do sítio onde ia morrer, ao nosso santo do Rochoso, o José Pires Sanches... vizinho dali ao lado e poeta da poesia escondida (tão escondida que já se esqueceu dela e a reescreve todos os dias e fica com ela nas mãos, assim como rosas, sem saber que destino lhe dar...).

E lá voltei eu à minha (nossa) Beira, eu, um apólide que andou por quatro países e três continentes... Fora cá o nosso, que amamos tanto e odiamos tanto! Mas é o nosso.

Dizem que se deve escrever curto, no blog. Será verdade? Se for, fico por aqui. Se não for, fica para a próxima.

Ah!, que belo jantar: um bucho de 5***** estrelas do Sabugal!

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