segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O 1º Centenário da 1ª República e a realidade podre que tentou (em vão) modificar...

...o escultor João da Nova (aliás João da Silva) trabalha o busto da República***




Eça de Queirós


Leio, na interessantíssima obra de A. Campos Matos, Eça de Queiroz, Uma Biografia, ora lançada pelas Edições Afrontamento:

‘Caciquismo e clientelismo marcaram a vida política à escala regional e local. No país real impera a pobreza, o analfabetismo e a emigração. O analfabetismo atingia em 1878, ano da publicação d’O Primo Basílio, a espantosa cifra de 80% da população. Como essa população era então de 4 milhões de habitantes, apenas 800.000 almas eram capazes de ler. Mas dessa cifra apenas um reduzido número teria apetência ou capacidade de leitura’

Entrava-se no último quartel do Séc. XIX, a geração de 70, Eça, Oliveira Martins, Antero iriam espernear em vão. Como se poderia civilizar um país de tal modo atrasado, manipulado, explorado, chupado até ao tutano?

Não admira, pois, que a 1ª República, cujo 1º centenário celebramos, durasse uns magros 16 anos.

Ele eram os cacique, os curas (que souberam inventar Fátima, negócio que prospera a olhos vistos e a todos os níveis), ele era, sobretudo, o analfabetismo e a marginalidade –ir a Badajoz ou a Madrid (quem iria a Paris???) citava-se, como dado importantíssimo, no currículo do cidadão ambicioso e... com algumas posses (porque só a esses era permitido ambicionar mais do que a fuga para o Brasil..., África -ó céus!- era degredo).

Hoje, felizmente, já não é ontem; mas ainda caciquismo, clientelismo e o sinistro PAC (Processo de Analfabetização em Curso) estão na raiz da peixeirada política em que vivemos, com a engorda dos tubarões da banca e a crescente emigração.


***ao que consta, o modelo de que se serviu João da Nova era uma jovem alentejana, nascida em Arraiolos, que viera ganhar a vida para Lisboa, exercendo o ofício de costureira e morreu na década de 90, com 101 anos...

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