sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O dia de hoje: a Esperança e a Morte...

...sim, hoje já é um novo dia e amanhã será outro, novo, diferente... se quisermos...



...ainda sobre Fidel de Castro e a revolução cubana; as esperanças havidas em 1959; o derrapar para o totalitarismo e as desilusões; as perseguições e as prisões; a morte (ou assassinato) do dissidente Zapata Tamayo, algures, em Havana...

...tudo isso, em seguida ao falhanço, ao desastre do regime soviético;

...tudo isso enquanto os partidos comunistas que sobrevivem não conseguem libertar-se da raiz estalinista...

E depois?

Quantos anos conta isso tudo? Cem? Nem chega... E se chegasse, ultrapassasse? Se fossem duzentos, trezentos, quinhentos? Mil?

O que significam mil anos na História da humanidade?

Alguma coisa significam..., é certo –e pela negativa, naquilo que diz respeito às relações sociais, aos regimes políticos, às relações humanas....

Há mais, muito mais de mil anos que o homem é perseguido, subjugado, explorado por uma minoria.

Há mais de mil anos que o homem sofre as consequências de totalitarismos.

Agora, embandeiram em arco os totalitaristas disfarçados de liberais (e o que são o capitalismo, o liberalismo, o neo-capitalismo, o neo-liberalismo senão desastrosas e criminosas novas formas de totalitarismo, desigualdade social, neo-escravatura, exploração do homem por um bando de homens?),

Festejam a morte (assassinato) de Zapata Tamayo, não a lamentam –porque a consideram mais um argumento a justificar os crimes que eles, falsos carpideiros, Judas-banqueiros, querem perpetuar, porque a consideram mais uma acha para a fogueira onde nos grelham a fogo lento mas cada vez mais apressado: a mundialização, a globalização, o enforcamento do Indivíduo, da Pessoa, o garrote que aperta, sufoca a iniciativa de cada um... que destrói qualquer contrato social digno, justo, igualitário...

...lançam foguetes os que nos atiraram para a crise brutal onde lutamos para não morrermos afogados e de cuja crise essa quadrilha de salteadores, tão desonrados que o Zé Telhado os recusaria na sua, recomeça a tirar milhões... dos nossos bolsos esfarrapados, vazios... da nossa carne de desossados, que nos chuparam até ao tutano...

E pensam que podem enterrar, definitivamente, a Esperança.

Não podem: a Esperança é a Vida do Homem.

Em cem anos, um punhado de tentativas falharam. E depois? Baixamos os braços?

Não, amigos: vamos tentar outra vez!

É o mito de Sísifo, o tal de que falaram tantos, de que falou o humaníssimo Albert Camus: Sísifo que empurrava a pedra, montanha acima; e a pedra escorregava; e ele voltava a empurrar; e a pedra escorregava...

Mas, de cada vez, Sísifo, o homem da Esperança, ganhava um centímetro, mais um, mais outro, um metro e mais um metro... Avançava.

Em cem anos, em duzentos, em quinhentos, em mil, em dois mil, com milhões de vítimas pelo meio –o Homem avançou, já não é o mesmo. E amanhã estará ainda mais perto da sua dignidade, da sua liberdade... um metro, depois outro metro, depois outro...

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