
João Pedro Graça, certamente, um homem inteligente e culto, fez sua a revolta de todos aqueles que têm alguns dedos de testa: quer impedir um objecto esquisito, obra de galinhas ditas universitárias, que andam, há mais de duas décadas, a dar cabo da Literatura em Portugal: o famigerado "acordo ortográfico" (não merece maíusculas... se calhar nem minúsculas... mas, que remédio, o aleijão está para ser parido... e toca a metê-lo em cova funda!)...
assinarei todas as petições contra as galináceas tontas e o aborto que nos querem atirar para as mãos!
Vai de retro galinhola!
Aqui, em Londres, reparo que os ingleses nunca deram aquilo que constitui a sua (deles) identidade -escrevam nos USA ou no Canadá ou na Austrália ou na Nova-Zelândia como entenderem -mas o que é meu é meu e não quero ensinar aos meus filhos (e netos: tenho idade para isso, não queria confesssar mas cresci) o capilé linguístico.
TODOS A ASSINAREM E A RECUSAREM PERDER A ALMA! O ACORDO ORTOGRÁFICO: O QUE VIER É MISÉRIA
Portugal é um país milenário, tem Camões, Camilo, António Nobre, Régio... Afonso Duarte... tem Irene Lisboa... o Manuel da Fonseca (não me peçam para estar updated... me ne frego!, falta aqui a Agustina, o Helder...),
E agora, agachamo-nos? Abrimos as pernas? Prostituimo-nos?
Pobres dos nossos filhos (e netos, que não tenho mas poderia ter e até nem me apetece ter que isso de avô é com bengala), a quem as baratas tontas das nossas Faculdades (onde se amanham tantos imbecis!), as tais e os idiotas querem roubar a língua.
Há semanas, numa das minhas fugas com Lorenza e Andrea (e a menina alentejana que é a minha vida... há... não digo, mas desde os 14 anos dela), em Marvão, ouvi o seguinte:
"Tomo este chá para desfazer a comida"
"ele era uma pessoa transparente."
A língua pura.
Nada tenho contra o Brasil -um das primeiras mulheres maravilhosas que conheci foi uma linda menina de Santos, Teresinha de Almeida, que me ajudou, em Paris, a compreender, eu que vinha do país dos tristes, o nosso, onde não havia nada senão medo,
que havia outras coisas, a sua amizade, tão bonita e perdida, " a vida meteu-se ao meio e o que havia de vir veio", já nem sei se está viva... Vinicius é meu irmão, Elis Regina ou Garrincha (olha logo os dois!) são irmãos; África é a minha África, o meu amor; e, no Oriente, no sítio onde o português perdeu as calças, lá estará a alminha que ainda fala português;
um dia, em Interlaken, na Suiça do cuco, subi lá acima -e lá estava o português, humano e delicado...
E é isso que querem destruir?
Bem..., sabemos que o doutor Assis, de Boliqueime, já escolheu outra língua: diz, por exemplo, façarei... mais o que não gravaram...
E um pobre homem da Guarda, como eu, está disposto a ir buscar uma bengala (camiliana...).
Basta de filhos da imbecilidade e de quem os ensinou a não serem gente!
É o dinheiro que conta - e todas as palavras servem.
É o dinheiro que conta - e todas as palavras servem.
Dizem os italianos: invece no.
O que conta és tu: que me estás a ler.
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