Piazza Navona, RomaCansado da vulgaridade dos dias, do espectáculo oco e suicida, das argolas penduras das orelhas e dos lábios, do cabelo sujo, das calças rotas e do dinheiiro da mãe no bolso, do sexo-resolve-e-não-perguntes-nada, de um pouco de haxix ou cocaína, das lágrimas derramadas sobre o que queríamos que nos perguntassem e tivessemos para responder, da solidão... do mimetismo... da covardia... da falta de coragem para lutar por si próprio, da chatice que é este viver de biliões ou com fome ou com vida de escravo e resorts e imensa, dolorosa, imensurável solidão...
fui rever um filme de um Mestre, Visconti: Gruppo di famiglia in un interno...
Vi-o, pela primeira vez, em 1975, Janeiro, em Roma -e marcou-me: as exigências e raiva que então tinha tenho-as hoje -e espero que os mais novos que eu as tenham: a exigência de ser eu e a raiva de me quererem impedir de o ser.
Ó leitor amigo de 20 anos! Só és ainda jovem, se quiseres sê-lo, tal qual eu só serei velho se o aceitar. Passa-se tudo cá dentro. Sabes?,
e aqui deixo o bocadinho de música que me marcou, para sempre, um momento de um filme sem pornografia (esses podes alugá-los no videoclube ali da esquina) e tanto da nossa dificuldade de ser livres e amar...
É de Mozart, o treco, e chama-se: Vorrei spiegarvi oh dio...
Explicar a Deus? O nosso desbandar? Ah, é desistência... basta dizer-Lhe isso.
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