terça-feira, 30 de março de 2010

A Itália e a pulga de oiro...

... era uma vez a Itália...
Berlusco: o homem dos euros...


Vivi 15 anos em Itália e considero-a a minha segunda pátria.

Lá aprendi a liberdade.

É natural: vinha, em Janeiro de 1975, de um país humilhado e ofendido, que sofrera uma ditadura Salazarista, á qual se acrescentara um débil consulado marcelista e que tudo somara, mais ao menos, 50 anos;

vinha de um país que suportara, de 1850 a 1910, uma monarquia constitucionalista corrupta, com um único Rei esclarecido, Pedro V, a morrer jovem, ainda hoje se não sabe por que razão, e com mais dois outros, um, a engordar, acomodado, a mulher, uma savóia, a insultá-lo (ler Fialho de Almeida), o outro a caçar e a pedir dinheiro, “adiantamentos”; uma República heróica, de 16 anos minados pela podridão que vinha de antes...

É natural: eu vinha da censura ao que se escrevia, de ser proibido pisar a erva, de o vizinho da mesa ser um Pide...

E acordei em Roma.

Na Piazza Navona.

E deslumbrou-me a liberdade: a beleza da liberdade.

Não havia Berlusconis.

Havia ideal.

E, se agora, Berlusconi, um comerciante que começou a vida a tocar bandolim nos paquetes de luxo e a contar anedotas, ganhou estas eleições,

se o Bossi das ligas, da Liga Norte, ganhou ainda mais que um chico esperto que está a viver a andropausa (todos viram as tristes fotografias do homem, Berlusconi, maquilhado operado, atrás das garotas das TVs),

e, hoje, se a Itália é uma fotografia deplorável...

isso deve-se ao que eu nunca entendi:

o desmembrar do Partido Comunista Italiano,

o apagamento da Democracia Cristã.

Tinham ideologia: PCI e DC,

lutava-se pelo bem estar do homem, por uma sociedade justa, comandava essa luta a exigência ética.

Hoje, há contas bancárias.

É um desastre o que acontece em Itália. Talvez seja um desastre o que aconte aqui: em Portugal: abandonado, explorado, sufocado.

A censura conhece muitos caminhos.

1 comentário:

  1. Já nem sei se é Portugal a aprender com Itália,se é Itália a aprender com Portugal.
    Parece já só restar o apelo ao povo.

    Um abraço,
    mário

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