... era uma vez a Itália...
Berlusco: o homem dos euros...Vivi 15 anos em Itália e considero-a a minha segunda pátria.
Lá aprendi a liberdade.
É natural: vinha, em Janeiro de 1975, de um país humilhado e ofendido, que sofrera uma ditadura Salazarista, á qual se acrescentara um débil consulado marcelista e que tudo somara, mais ao menos, 50 anos;
vinha de um país que suportara, de 1850 a 1910, uma monarquia constitucionalista corrupta, com um único Rei esclarecido, Pedro V, a morrer jovem, ainda hoje se não sabe por que razão, e com mais dois outros, um, a engordar, acomodado, a mulher, uma savóia, a insultá-lo (ler Fialho de Almeida), o outro a caçar e a pedir dinheiro, “adiantamentos”; uma República heróica, de 16 anos minados pela podridão que vinha de antes...
É natural: eu vinha da censura ao que se escrevia, de ser proibido pisar a erva, de o vizinho da mesa ser um Pide...
E acordei em Roma.
Na Piazza Navona.
E deslumbrou-me a liberdade: a beleza da liberdade.
Não havia Berlusconis.
Havia ideal.
E, se agora, Berlusconi, um comerciante que começou a vida a tocar bandolim nos paquetes de luxo e a contar anedotas, ganhou estas eleições,
se o Bossi das ligas, da Liga Norte, ganhou ainda mais que um chico esperto que está a viver a andropausa (todos viram as tristes fotografias do homem, Berlusconi, maquilhado operado, atrás das garotas das TVs),
e, hoje, se a Itália é uma fotografia deplorável...
isso deve-se ao que eu nunca entendi:
o desmembrar do Partido Comunista Italiano,
o apagamento da Democracia Cristã.
Tinham ideologia: PCI e DC,
lutava-se pelo bem estar do homem, por uma sociedade justa, comandava essa luta a exigência ética.
Hoje, há contas bancárias.
É um desastre o que acontece em Itália. Talvez seja um desastre o que aconte aqui: em Portugal: abandonado, explorado, sufocado.
A censura conhece muitos caminhos.
Lá aprendi a liberdade.
É natural: vinha, em Janeiro de 1975, de um país humilhado e ofendido, que sofrera uma ditadura Salazarista, á qual se acrescentara um débil consulado marcelista e que tudo somara, mais ao menos, 50 anos;
vinha de um país que suportara, de 1850 a 1910, uma monarquia constitucionalista corrupta, com um único Rei esclarecido, Pedro V, a morrer jovem, ainda hoje se não sabe por que razão, e com mais dois outros, um, a engordar, acomodado, a mulher, uma savóia, a insultá-lo (ler Fialho de Almeida), o outro a caçar e a pedir dinheiro, “adiantamentos”; uma República heróica, de 16 anos minados pela podridão que vinha de antes...
É natural: eu vinha da censura ao que se escrevia, de ser proibido pisar a erva, de o vizinho da mesa ser um Pide...
E acordei em Roma.
Na Piazza Navona.
E deslumbrou-me a liberdade: a beleza da liberdade.
Não havia Berlusconis.
Havia ideal.
E, se agora, Berlusconi, um comerciante que começou a vida a tocar bandolim nos paquetes de luxo e a contar anedotas, ganhou estas eleições,
se o Bossi das ligas, da Liga Norte, ganhou ainda mais que um chico esperto que está a viver a andropausa (todos viram as tristes fotografias do homem, Berlusconi, maquilhado operado, atrás das garotas das TVs),
e, hoje, se a Itália é uma fotografia deplorável...
isso deve-se ao que eu nunca entendi:
o desmembrar do Partido Comunista Italiano,
o apagamento da Democracia Cristã.
Tinham ideologia: PCI e DC,
lutava-se pelo bem estar do homem, por uma sociedade justa, comandava essa luta a exigência ética.
Hoje, há contas bancárias.
É um desastre o que acontece em Itália. Talvez seja um desastre o que aconte aqui: em Portugal: abandonado, explorado, sufocado.
A censura conhece muitos caminhos.
Já nem sei se é Portugal a aprender com Itália,se é Itália a aprender com Portugal.
ResponderEliminarParece já só restar o apelo ao povo.
Um abraço,
mário