sexta-feira, 26 de março de 2010

Começa o fim que é despedida e o começo de outras coisas... pois que a vida nelas é muito rica...

'canal grande, Veneza', óleo de Turner


Hoje começa o fim: o Epílogo d’ O Pássaro de Vidro.

E vivo esse fim, como se reconhecesse o que acabou: os anos de Roma, de Veneza... de Lorenza e Andrea. De Itália.

Da Itália que me roubou gente que não merece a água que bebe.

Vivo esse fim com saudade: do que fui e não voltarei a ser; de Roma, da Piazza Navona, do Campo dè Fiori, da sala onde escrevia e do meu cão Zac, deitado aos pés, e da Marietta, de Corot, ao fundo, mulher de corpo inteiro, doçura e sensualidade entregue ao dia.... Com saudade de Veneza -ah! de Veneza!- e do meu querido Aldo Zari, o pintor mais pobre da cidade e um Mestre, na atitude mesma: nas centenas de quadros que pintou, na pobreza que preferiu às lentilhas (as lentilhas que aceitou o freirinho que me roubou Roma), na coragem de ser e assumir o risco. Zari, companheiro de viagem, pelas osterie, por Burano e a ouvir-me a história de Lorenza e Andrea... a sofrer por eles e por mim.

Compartilho contigo, leitor amigo. Deixo-te a alma. Porque escrevi muitas páginas –mas as d’ O Pássaro de Vidro são, como nenhumas outras, sangue do meu sangue, carne da minha carne.

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