Fausto José e Tomaz de Figueiredo em alegre e boa companhia...
Senhor, eu te agradeço esta noite...
Senhor, eu te agradeço esta noite,
Esta noite leal, tímida, boa,
Após as horas baças no café,
A discutir o Lawrence e o Pessoa.
Senhor, eu te agradeço esta noite,
Com tanta estrela pelo espaço,
Esta noite leal, límpida, mansa,
Que se me dá como um regaço
Onde a alma descansa.
Senhor eu te agradeço esta noite
Toda incensada dos olores
Das árvores que fremem de desejos
E se recobrem de flores,
As flores, os seus beijos...
E eu te agradeço a graça de ser só
Nesta leda e serena madrugada;
E o rouxinol que canta ao desafio
Com as águas que correm na levada...
E o silêncio macio
Como um penso numa ferida.
Senhor, eu te agradeço a vida!...
(poema de Fausto José, do livro Na Mão de Deus, Antologia da Poesia Religiosa Portuguesa, organizada por José Régio e Alberto de Serpa, Portugália Editora, 1958)
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