quarta-feira, 17 de março de 2010

O dia de hoje: vamos começar de outra maneira este dia que ninguém viveu antes de nós...

Fausto José e Tomaz de Figueiredo em alegre e boa companhia...





Senhor, eu te agradeço esta noite...

Senhor, eu te agradeço esta noite,
Esta noite leal, tímida, boa,
Após as horas baças no café,
A discutir o Lawrence e o Pessoa.

Senhor, eu te agradeço esta noite,
Com tanta estrela pelo espaço,
Esta noite leal, límpida, mansa,
Que se me dá como um regaço
Onde a alma descansa.

Senhor eu te agradeço esta noite
Toda incensada dos olores
Das árvores que fremem de desejos
E se recobrem de flores,
As flores, os seus beijos...

E eu te agradeço a graça de ser só
Nesta leda e serena madrugada;
E o rouxinol que canta ao desafio
Com as águas que correm na levada...
E o silêncio macio
Como um penso numa ferida.

Senhor, eu te agradeço a vida!...

(poema de Fausto José, do livro Na Mão de Deus, Antologia da Poesia Religiosa Portuguesa, organizada por José Régio e Alberto de Serpa, Portugália Editora, 1958)

Sem comentários:

Enviar um comentário